Íntimus-Geo

A intimidade da Georgia absorvida em tela.

Quem sou eu?

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Geo²rgia
Porto Alegre, RS, Brazil
A moça predestinada da Geografia.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

RISK RABISK


É isso aí, risk rabisk, rabiscar sem pensar muito. Só baixar a cabeça e deixar fluir.
Nova fase.
Eu aqui tentando libertar a princesa enquanto surro o teclado.
Esse blog tá saindo do ar. Vou usar meu joystick em outro canto.
Um lugar com menos irmãos martelo e com mais cogumelos.
It's me, Georgia.
tã rã tã tã rã tã!

www.camadefaquir.blogspot.com

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

DIREITO DE RESPOSTA

Uma pessoinha insignificante postou o seguinte comentário no meu texto "formatura ninguém atura"
Aqui está ele na íntegra:


Nooossa...formaturas não fazem parte dos meus "programas favoritos", mas o teu comentário foi um tanto quanto "amargo", tu não acha?? Tudo bem que elas são longas, as músicas que os formandos selecionam não são - em sua grande maioria - originais, mas daí creditar tantos "adjetivos" assim para os formandos e a colação de grau é demais...Não te conheço, mas o teu post pareceu ser de uma pessoa velha, sem vida,frustrada....

Não costumo tolerar comentários abusivos, afinal, esse blog não é uma democracia.
Mas de repente me ocorreu que vc, de nome ou alcunha Vanessa, deve ter se ofendido porque provavelmente faça parte dos universitários ou dos formandos com QI de dois dígitos.

Ou talvez namore alguém assim.
E nesse caso, se assim for, seu comentário estúpido se justifica: afinal, semelhante atrai semelhante.

O intimus-geo dispensa seus comentários.

E também dispensa sua visita.

Vá visitar site de fofoca e não me encha o saco.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

TRABALHO FEITO

Essa gaiola ficou pequena.
O canário cresceu e perdeu a pena.
Pena de mim, pena cumprida.
Chegou a hora de começar a vida!

Trabalho 8 horas por dia
Segundo Marx duas são da mais valia.
Mas o que vale mais?
A fortuna do meu patrão ou minhas 40 horas semanais?
Um terço do meu tempo não pertence a mim.
Sou o cavalo puxando a carroça que trabalha pelo capim.
De segunda a sexta vejo minhas células envelhecerem e meu cérebro encolher.
O trabalho enobrece o homem mas ninguém me avisou quanto ao emburrecer
Sou um ponto positivo na estatística do jornal
tenho carteira assinada embora ganhe muito mal.
Um presidiário custa ao governo o dobro do meu salário
E ambos vivemos quase no mesmo cenário
Presos, emparedados,
mas eu não roubei,
eu não matei,
eu tô dentro da lei.
O que me difere então de um marginal se me sinto uma criminosa na condicional?
Cometi a transgressão de indagar, de refletir
refletir que somos a soma de quem só nos quer subtrair
Posso ir dormir todo dia em casa
E se tiver bom-comportamento,
o chefe até alivia e dá um aumento
Então siga as dicas:
cala a boca e não fala de mente cheia
Você é o mosquito e ele a aranha na teia.
Não diga o seu sagrado nome em vão
e não engula desaforo se for arrotar palavrão.
Faça hoje igual o que você fez ontem e deixe para amanhã o que você fará no dia posterior
Continue até que você veja sua vida perder a cor.
Vista a camisa da empresa para nao ser um descamisado
Obedeça para não subir o número de desempregados
Aceite a subserviência e diga muito obrigado
Afinal de contas voce é pobre, mas não é um mal-educado.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

RECEITA DO DIA

Faço meu dia tal qual um bolo
Lavo minhas mãos na pia antes de na fôrma pô-lo
Unto-a com suor
Fecho o livro de receitas pois já o sei de cor
Ponho no forno para assar e retiro após 24 horas
Guardo a fôrma vazia e jogo o resto do dia fora
Como hoje as migalhas de ontem numa tentativa de inanição
Me alimento semanalmente de uma anêmica repetição
Cuspo no prato que como e dispenso o talher
Azedei a mim mesma por ter lambido antes a colher
Procuro em fast-food a adrenalina
Prefiro o sabor à vitamina
Meu fermento não me permite crescer mais
Me fatio em porções semanais
Redistribuo a minha própria comida
E no menu fico em dúvida entre a morte e a vida.

ROLE-PLAYING GAME

You chase me like a shadow
When I look at the wall

I can see you darker and bigger than me
But in fact, you are just a reflection of my light
Because you like to be hidden in it.

You make of my brain an attic
All my memories of you are among the dust and the cockroaches.
I tried to clean it
But you didn't permit this
Because you like my dirtyness.

I can't desert your spectre
Like an evil ghost you haunt me
And I am scared that nothing could exorcize you from my mind.
Because you don't dread my prayers.
Your Presence absence doesn't seem to end
You are here even if you aren't
And I can't avoid this anymore
Because when I fight against you I am fighting against me.
You won...

WASTE LAND

I'm a waste land
Huge and empty
Don't you want to build your house on my ground?
I give you my whole space and you in exchange for it can tread on me
Take your spade and dig my body.
Make an immense hole and after that come in to find me.
I can be the cement to put your pieces togheter
or the brick of your wall to keep you safe.
Kick my stones from your way,
sweep all my sand off your shoes and cough my dust.
Make of my vast soil a stage.
Kiss the leading lady on my earth, listen to the clapping.
Your play is a success.
Would it be because you are a great fucking player?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

O VALOR REAL

Sem muito prazer, meu nome é Fulana.
Às vezes Sicrana.
Outros Beltrana.
Se não sabe meu nome então por que me chama?

Não me venha com historinha para boi dormir
Se deito no divã é porque preciso acordar
Me sacuda com força antes da minha pálpebra cair
Abra meu porão antes de eu me levantar

Você questiona meu passado
enquanto cuida a hora
Já que minha vida tem lhe atrasado
Eu lhe dou alta, pode ir embora.

Nos meus documentos sou apenas algarismos
Por que não aproveita e me soma na consulta?
Tornaremos óbvio esse niilismo
Por minuto a mais, pode aplicar-me uma multa.

Já que gosta de mente, pode fazer conta de cabeça
Assim, deixa mais claro o seu propósito
E antes que eu me esqueça
Você quer pagamento à vista ou depósito?

terça-feira, 15 de abril de 2008

INVERNANDO

Tira-se os casacos e as boinas dos armários, bata a poeira das botas, enrole uma manta no pescoço e sinta o vento gelado lamber teu corpo. Um trailler hoje anuncia que em poucas semanas, o hemisfério sul sentirá a indiferença do Sol.

Eu gosto do inverno, foi a estação do ano que nasci (e segundo minha mãe, o dia 06 de julho de 1981 foi deveras frio).

No inverno, a comida se torna cúmplice e não mais a ré impiedosamente julgada pelo juri "minha calça jeans preferida não entra mais".

A contagem de calorias agora não nos interessam, bem pelo contrário. O que vc mais quer é que elas entrem pelo ser corpo e honrem o nome que têm: calor ia; que elas te aqueçam.

E se a consequência para esse aconchego térmico for suas células terem seus interiores preenchido com adiposidade, ignore. Deixe para se preocupar com isso quando o Sol voltar a bocejar sobre o nosso hemisfério.

Nós somos convidados a hibernar sob roupas pesadas, cada um exilado na sua própria caverna quente. Um tatu dentro do casco. Um ostracismo voluntário.

Porém, essa época do ano é convidativa à aproximação afetivo-romântica. Os vinhos, as cobertas, os filmes pegos na locadora e assistidos na cama, a lareira e o fondue. Itens que fazem de um relacionamento, a extensão direta para declarações amorosas, um dentro do outro, esquentando o corpo e a alma.

Verão é bunda-lelê. O mais romântico que pode acontecer na estação do calor é o cara passar bronzeador nas tuas costas enquanto olha para as outras moças de biquíni, naquele instante que vc está de olhos fechados e de bruços.

Já o inverno é monogâmico. Não é à toa que o pinguim, ave de regiões frias, é o animal mais fiel e devotado à sua fêmea.

De junho à setembro, queremos colo, beijo no pescoço, excedente de pele para atritar a nossa.

Buscamos o outro par de pantufas.

Porque afinal de contas, a baixa temperatura com a pessoa certa não só cala o frio como também nos proporciona o calafrio.

E já que banhos nessa época costumam ser uma tortura, peça ao seu gato um banho de língua, e em troca, claro, vc deixa ele brincar com o seu novelo.

Mas se ele se cansar, ofereça imediatamente um pires com leite quente.

Ajuda a repor as energias.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A VOZ DO POVO.

Meninos, Isabel Allende já disse e eu repito, o ponto G das mulheres localiza-se nos ouvidos, inútil procurá-lo em outro lugar....

E como tal, somos sensíveis às vozes masculinas. Homem fanho, com voz fina, homem que come metade das palavras, homem que não sabe o que dizer, todos têm suas baterias descarregadas antes mesmo da segunda frase.

Gostamos de espontaneidade, de riso fácil, de cordas vocais limpas, gostamos do grave, gostamos do arrepio que isso nos proporciona.

Gostamos de homens que sabem usar as palavras que têm, que nos ouve mas que também conversa, que responde mas também pergunta.

Isso meninos, falem, falem....Porque o meu ponto G se localiza aí, na bigorna no martelo e no estribo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

COM PAIXÃO.

Que coscarque que nada.
Se apaixone e veja suas calças folgarem...A comida será apenas manifestação de subsistência...

Paixão é a injeção de heroína, é uma carreira de pó, é uma garrafa de whisky. Paixão vem para te pôr inconsciente, é um narcótico que sua mãe não te proibiria de usar.

Há os que temem a sua chegada, aflitos, buscam desesperadamente um pneu boiando no mar só para cair fora do barco. Preferem o marasmo de terra firme.

A esses, que negam a vida, eu lamento. Estar apaixonado é a forma mais ágil de conexão entre vc e o êxtase.

A você, que vivencia uma segura rotina de futebol, compras, amigas (os) no final de semana, livros e tv.

Você que não corre riscos, que não se angustia, que não sente a ansiedade...

Você que evitando a adrenalina preserva seu coração, você que rejeitando o que agita teus nervos ganha alguns anos a mais de vida.

A ti eu pergunto.

Quer viver mais para quê?

Qual o objetivo de ter uma Ferrari na garagem se tem medo de dirigi-la?
Qual a intenção em comprar um apartamento na cobertura se morre de medo de olhar lá para baixo?

Eu quero mais é isso.

Paixão, barulho, transe.

Quero vc cara.

Esteja onde você estiver...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

À DISTÂNCIA.

Relacionamentos são complicados...Disse alguma inverdade? Por acaso falei algo que 10 em cada 10 pessoas não saibam?

Uma vez li um texto da Martha medeiros numa época em que as crônicas dela não choviam no molhado como acontece agora, e ela afirmou algo que achei genial ao mesmo tempo que óbvio: quem garante que o amor da sua vida vá estar na mesma cidade, no mesmo país que você? Não é muita coincidência que a maioria namore, se case ou tenha um relacionamento com um conterrâneo?

Ok, existem sim as facilidades, para quê viajar kilômetros até o nordeste para comer caju se tenho uma ampla gama de maçãs a meu dispor aqui, na terrinha do mate?

Pois é aí que tudo deixa de fazer sentido. Por exemplo: caju é uma das minhas frutas preferidas, e maçã, tirando as barrinhas de cereais que tenham ela como fator essencial, eu dispenso. Se depender de mim, a coitada apodrece na fruteira.

Po que não estender essa analogia também aos homens?
E se na oferta que estiver acontecendo aqui no liquida porto alegre afetivo, não existir nada que me dê vontade de levar para casa? Nada que me incite a passar o cartão de crédito e pôr minha nova aquisição na sacola?

Hum?

Agora, imaginemos que em alguma outra parte do país, ou até mesmo do mundo, tenha o meu objeto de desejo, aquele por quem eu não só digitaria os 3 números do código de segurança do meu cartão,como até mesmo faria um empréstimo em qualquer financeira só para poder me apropriar daquela mercadoria?

Hein?

Quem garante que a vida é óbvia? Alguma vez foi comprovado que a vida opera apenas por A + B? Por que diabos não poderia existir uma equação complexa e de resultado ilógico?

Tem uma frase no filme As Horas que anotei, e se gostasse de tatuagens, eu a infiltraria por dentro da minha pele. A frase é: Não se pode encontrar a paz evitando a vida.

Sim, e o contrário também ocorre.
Não se pode encontrar a vida evitando a paz.

Ainda mais eu que nunca gostei de coisas fáceis.

A física quântica explica a lei da atração, por ela, afirma-se que estamos todos ligados por fios invisíveis onde o seu desejo chama para perto de si a resposta ao que se pede.

Isso significa que o amor da sua vida pode ser seu vizinho, o cara que vai te pedir uma xícara de açúcar numa manhã de domingo chuvosa, ou pode ser o cara que mora no canal do Panamá.

E se for o último? O que vc faria? Declinaria um presente que o Universo te oferece apenas por comodismo? Evitaria a vida apenas para manter a paz?

Por favor, pedir paz é slogan de aspirante à Miss.

Eu quero mais é bagunça, paixão, delírios...

Monotonia é para aqueles que ainda não descobriram o prazer do frio na barriga.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

COMO ENERVAR A GEORGIA EM 3 PASSOS

Tô aqui, tomando um nescau e comendo bolachinha. Preciso estar devidamente alimentada antes de abrir o livro de geo cultural que está ali, salivando pelos meus neurônios.

Porém, hoje o texto não será sobre como estou envelhecendo minhas células diante dessa hermética literatura.

Não.

Hoje vou falar do que anda me cansando. Do que anda me decepcionando, do que anda trazendo o mau humor da TPM com antecedência para minha vida.

Com vcs:

Georgia em fúria.

1- Namorados (que hoje obviamente já são ex) que insistem em querer te mudar. Que mais parecem um bando de metrossexual que diz que vc podia estar mais magra, com o cabelo mais liso, com o rosto com menos espinhas...Dizem nas entrelinhas, não enchem a boca para proferir porque sabem que perderiam os dentes. Mas lá, escondidas entre outras palavras, eu percebo a insatisfação. Eu percebo porque tem dias que posso sim estar mais gorda e com mais espinhas , mas não existe dias em que estou mais burra.

2- Homens que te tratam como se vc fosse o parceiro da cachaça. Conversam contigo a respeito de outras mulheres e ainda te dão tapinhas nas costas para te chamar a atenção sobre algum bendito fruto que esteja passando no momento. Porra, se querem achar a fulana, a beltrana e a sicrana gostosa, achem, mas não me comentem. Guardem para vocês! Eu não quero saber qual a beldade será escolhida para o 5 contra 1 no banheiro.

3- E por último, homem que acha que o ponto G precisa ser localizado com os dentes. A esses, eu preferia que me chamassem de gorda espinhenta para que eu pudesse arrancá-los de uma vez. Antes um homem banguelo do que mordidas indevidas em locais impróprios e em momento inoportuno.

Anotaram?

domingo, 23 de março de 2008

AMAR É- PARTE 2

Adendo:

Amar é vc perceber que o único amor incondicional existente é o de uma mãe por um filho.

O resto está tudo sujeito às intempéries físicas e emocionais.

Rasga o álbum, completar ele só enriquecerá o dono da banca de revista.

Faça você mesmo suas próprias figurinhas.

Porque pelo menos com essa atitude, vc saberá que não corre o risco de abrir o envelope e se deparar com todos aqueles cromos repetidos.


E se tentar trocar, esteja preparado para perceber que o seu pacote é igual ao pacote do vizinho.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

AMAR É...


Qual menina não se lembra das figurinhas amar é? Aquelas com frases toscas que guardávamos dentro da agenda e vinha dentro de alguma bala no troco da merenda?

As palavras são justamente o amor genuíno, pueril.
"Amar é gostar de andar de mãos dadas com você... "
Hum...Sim, mas que tal uma versão para criancinhas crescidas? Como seria o "Amar é" na minha concepção de relacionamentos e numa fase tão longe da impúbere?

Seria mais ou menos assim:

Amar é:


* Aceitar o seu beijo de bom-dia antes de você escovar os dentes.
* Passar a margarina no seu pão e esquentá-lo, pois sei que você adora!
* Compreender suas limitações e incentivá-lo a se expandir.
* Fazer massagem nas suas costas porque vejo que tem trabalhado demais.
* Te incentivar a enxergar o amanhã mas sem perder a admiração por quem você é hoje.
* Confiar no seu talento e capacidade mesmo que você ignore isso.
* Saber que os filhos que quero ter serão meus e seus.
* Dormir sem ventilador numa noite muito quente só porque você está gripado.
* Ver sua vida de pernas pro ar e te ajudar a pôr ordem na bagunça.
* Fazer sua sobremesa preferida mesmo que eu não compartilhe do mesmo gosto..

* Perdoar os deslizes.

Em suma, Amar é saber que posso encerrar meu álbum porque a figurinha que faltava já não falta mais.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

SARAU ELÉTRICO

Ontem fui no Sarau Elétrico no bar Ocidente. Os homenageados da noite seriam Chico e Caetano. Eu, como uma apaixonada por MPB, peguei meu namorado*, por uma mão e fomos rumo ao Bomfim. Precisava conferir de perto o que seria exposto a respeito dos meus ídolos.

Nos apertamos num canto e esperamos pelo início marcado para as 21 horas com atraso de quase 50 minutos. A ansiedade dos órfãos da boa música, fazia a cerveja parecer mais doce mesmo que salgando o bolso.

Bebe, bebe que a casa precisa lucrar! E nem pensar que vamos usar esse dinheiro para comprar mesa e cadeira. Chinelagem vai ficar de pé. Espreme, espreme que cabe mais um.

Me senti num coletivo em horário de pique.

Quando iniciou a apresentação, me desapontei um pouco com o resultado. Esperava uma explicação maior sobre a história, a época das músicas, o contexto...Apenas o que fizeram foi ler as letras. Claro, narrativas diferentes, algumas melhores do que as outras (excelente narração Kátia Suman) mas o ápice veio no final. Quando um trio muito talentoso tocou e cantou Chico e Caetano.

Ali eu pirei.

95% da casa acompanhavam as letras, erguia o copo de cerveja, fechavam os olhos e deixavam o som conduzir a direção da cabeça. Movimentos suaves...Foi uma, duas, três, quatro...O quê? Foi um prazer ter tocado pra vocês? Fala sério! Volta e toca de novo. Tão pensando o quê?

Humpf.

Rolou um bis pout-pourri da dupla e nesse instante percebi algo que me fez refletir: não havia quase negros no local. Para falar a verdade, eu não tinha visto nenhum até o momento. Comentei com o fato e obtive a resposta que aquela atividade era reflexo de uma elite.

Elite?!?!?!?! Eu quase não vou no sarau por falta de 8 pila, elite dá onde cara-pálida????

A elite intelectual.

Ah!!!!!

E por que os negros não podem fazer parte dessa elite intelectual?
Por que lugares mais culturais tem tão baixa incidência de negros se muitos deles tem entrada franca?

Me questiono se é a pouca identificação, o pouco acesso ou o pouco interesse. Não sei, só sei que seria muito bom se todos pudessem usufruir da cultura não como uma exigência de currículo nem como uma regra de etiqueta ditada pela Glória Khalil, mas sim pelo simples prazer da arte.

Mas como dizia Tomás Morus, isso já é Utopia.

* o namorado em questão já foi rebaixado à categoria de ex.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

VILA DO CHAVES

Vila do Chaves, 31/12/2007


- Kiko, kiko vamos brincar lá na lan-house?

-Não posso! Mamãe pediu para que eu não sujasse minha roupinha branca de marinheiro. Hoje é a virada no ano e vamos comemorar no Grêmio Náutico União.

- Nem queria mesmo...Eu brinco sozinho com a arma que o papai Hugo me deu. Quando ele voltar da Venezuela me prometeu que vai me trazer uma granada. Aí eu vou explodir essas suas bochechas de buldogue velho.

- Grande coisa...Eu nem gosto delas mesmo

- Chaviiiiiinho, chavinho, meu amor.

- O que tu quer Chiquinha?

-Tu tem um real para me emprestar?

- Pra que?

-É que eu quero comprar velas rosa para fazer uma simpatia de amor na meia-noite.

- hahahahahhahaha, Chiquinha, se magia desse certo a Bruxa do 71 já tinha casado com o seu pai.
- Olha quem fala Kiko, sua mãe é uma bruxa e casou com o professor Girafalez.

- Você não vai com a minha cara?

- NÃO!

- Hein Chavinho?

- Não posso, todo o meu dinheiro está nas Ilhas Cayman.

- Chaves, deixa de ser pão duro, eu tô te pedindo um real e não um milhão.

- Não dá Chaves, não dá, não tá vendo que ela vai fazer uma simpatia para que você namore ela?

- Cruz-credo! Prefiro comer um sanduíche de presunto estragado.

- Preferia não, a Chiquinha até que tá bem gostosinha. Se tu não não pegar ela pego eu.

- Vai nada.

- Vou sim.

- Se eu digo que não vai, é porque você NÃO VAI! Ou você quer que eu ligue para o meu pai?

- Grande coisa... Tá todo se achando só porque agora seu barril está cheio de petróleo.

- Chiquinha, toma aqui o dinheiro da vela. Mas vê se me traz duas: uma pra simpatia, outra pro velório do Kiko.



*O poder corrompe qualquer um.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

100 BRASILEIROS MAIS INFLUENTES

Saiu a já conhecida edição da IstoÉ com o tema 100 brasileiros mais influentes. A lista me reservou algumas surpresas, dentre as quais escrevo abaixo.

Na letra K, pensei que existiria um kibe do site kibeloco por todas as suas tiradas políticas e cotidianas geniais, mas não. Constava apenas o Kaká que mais parece apelido de patricinha adolescente.

Não surpresa o suficiente, li que até a miss "quase nova Sra Aécio Neves", Nathália Guimarães estava na lista. Mas que tipo de influência tem uma mulher que disputa um mero título de beleza? Nosso país já não está futilizado e mediocrizado o suficiente?

Peraí, Roberto Justus???? A única influência que aquela coisa engomada exerce é no meu controle remoto. Basta ver a sua cara plastificada para meus dedos percorrerem o botão chanel mais do que depressa.

Agora, essa é pra matar: Alexandre Herchovitch como os 100 brasileiros mais influentes....Fala sério, as roupas dele é uma influência ao nudismo por dois motivos:

1° vc fica pelado depois de pagar aqueles trapos

2° eu prefiro andar pelada do que usar aqueles trapos

Mas pensando bem, eles realmente são muito influentes num país como o nosso. Afinal de contas, se o Brasil está como está não é por falta de má influência.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

PUC

Agora é definitivo: saiu a confirmação da minha bolsa pelo PROUNI. Sou a mais nova (não tão nova assim) filha da PUC, como costumam chamar seus afiliados.

Universidade, instituição de ensino que está presente no currículo de apenas 13% dos jovens brasileiros, fará parte agora das minhas noites mal-dormidas e permitirá que minhas olheiras adquiram uma tonalidade mais nítida.

Ninguém disse que seria fácil.

Se for tão sacrificioso acabar a faculdade quanto foi para entrar, eu me despeço aqui desse blog. Meu tempo vai virar especiaria, e poucos terão acesso a esse tempero. A começar por mim.

Agora é curtir o final de férias, porque dia 03 de março, estarei de mochila nas costas, olhar atento, mãos suadas, e no rosto a desorientação própria de calouros.

A mim, as boas-vindas ao mundo acadêmico.

Futura geógrafa na área.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

FECHANDO A BOCA

Abro o site do terra: Fulana de tal perde alguns quilinhos e exibe nova silhueta.

Ligo a tv: Hoje estamos aqui com a nutricionista tal que dará receitinha milagrosas para quem não quer fazer feio nesse verão.

Abro o jornal: Celulite, fuja dos furinhos indesejáveis e ponha o biquíni sem medo.

Abro a porta da geladeira e desisto do cheesecake que repousa sobre as geladas prateleiras.

Há algum tempo eu recebi no meu e-mail, fotos de mulheres famosas em ângulos não muito fotogênicos. Algumas imagens denunciavam rugas, espinhas, estrias e celulite.

Nossa!!! Como é que o Bush não tomou providências diante dessa catástrofe? Porque o Mercosul Não fez uma reunião de emergência para resolver o que seria feito agora que essas fotos vazaram na rede? O FMI nunca mais vai fornecer empréstimos depois dessa vergonha! Pobre Lula, mais um escândalo...

Mulheres viraram manequins vivas. Estou começando a desconfiar que as modelos lindas que vemos em revista e passarelas não espirram, não tem pereba, não fazem xixi, e cocô então, só se retirar o acento e virar um doce de coco SEM CALORIA, é claro!

A cobrança em cima da nossa aparência movimenta a indústria de cosméticos. Não basta ter cabelos, precisa ter cabelos saídos do comercial do Seda. Não basta ter pernas, precisam ser pernas de anúncio de academia. Não basta ter bunda, precisa ser bunda de mulata globeleza.

O cérebro? Quem? O parceiro do Pink naquele desenho?

Termos um corpo saudável é imprescindível para a manutenção de uma boa qualidade de vida. Mas a perseguição histérica por perfeição está ridícula. Quantas mulheres gordinhas, não tão malhadas e com algumas dezenas de celulites, conseguem ser sexy, engraçadas e atraentes mesmo contrariando o número que acusa a fita métrica?

A minha bunda é caída, minha barriga não tem gominhos, as minhas pernas não são torneadas, e mesmo assim me sinto linda e interessante; a segunda bolachinha do pacote (é que a primeira vem sempre esfarelada).

Leio revistas, mas passo longe das que tenham mulheres de biquíni na capa com dicas infalíveis para ficar com um corpo biônico em 5 dias.

Faço exercícios, mas são pelo prazer de me movimentar. Para mim academia só se for a brasileira de letras.

Cuido da minha alimentação, procuro ingerir alimento integrais, com nutrientes e fibras, porém, não dispenso um pastel nem uma massa a carbonara. Aliás, não costumo dispensar também a sobremesa.

Por falar nisso, dá licença que tem um cheesecake me esperando.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

NO HAY NADA

Já não é a primeira vez que eu abro o editor de texto do blog e fico olhando para ele. Me confrontando com aquela tela branca que me diz em tom ameaçador: e aí, vai encarar?
As respostas confirmam minha covardia...
-Obrigada, só estou olhando, mas se eu precisar de ajuda eu te chamo.

E me retiro do site antes mesmo do primeiro código binário mostrar um caractere.

O problema é que eu volto e continuo olhando. Penso em algo que eu poderia dizer, assuntos, contos, poemas...Mas nada vem. Fico à marcê da escassez. Como se as palavras fossem a chepa da feira. O que tinha de bom os outros já levaram para os seus sites. Só sobrou para mim o repolho velho e as cascas de cebola.

Penso a respeito do vazio e reflito que há muito a ser expressado. A questão é que a maioria é impublicável. Se eu fosse discorrer sobre a minha vida amorosa, projetos de futuro, fobias e anseios; eu já teria material para abrir uma editora.

Material para abrir, mas não qualidade para mantê-la funcionando.

Cheguei a conclusão que falo melhor quando o assunto é meu universo...Sou menos puida, mais livre, com pouca pretensão de ser genial...

Tudo o que preciso fazer é converter o sentimento do dia em palavras que melhor os retratem.

Nesse caso, porque não um diário de papel? Daqueles com cadeado que usávamos para que seu irmão não o lesse fazendo chantagens posteriores? Os diários que ganhávamos de amigo secreto cujas folhas eram tão pequenas que comportava a narração de um dia de apenas duas horas.

Porque não optar por um caderno? Capa dura para que você possa esmurrá-lo quando as palavras certas não vierem.

Um caderno que possa ficar escondido no meio das suas calcinhas. Escrever com os garranchos que evitamos ao redigir cartas ao namorado. Mostrar nossa letra feia e nosso lado cru, sujo e descabelado. Reservar a ele o ódio pelo telefone que não tocou, a alegria estúpida por causa do convite inesperado para sair, a frustração por causa daquela calça favorita que não entrou...Incluir data nas postagens para que no mesmo dia do ano seguinte você se dê conta do quão idiota era.

Assuntos que pouco interessam aos outros, mas que mesmo assim, só a você pertence.

Poder permitir-se num mundo de intenso voyeurismo virtual, ter um pouco de privacidade.

Isso claro, até alguém descobrir onde eu guardo as minhas calcinhas...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

AMOR VIRTUAL

Atualmente, existe uma infinidade de meios para tornar um solteiro desesperado em um felizardo do dia 12 de junho. Sites de relacionamento, têm a promessa de te trazer a tampa da sua panela antes mesmo da comida esfriar. Rápido, é só clicar no link abaixo, mas antes- por favor- digite aqui os 16 números do seu cartão...

Nos ofertamos na web tal qual itens de shopping.com. Praticamente um leilão virtual onde o chavão: quem dá mais, caberá àqueles que se dispuserem a pagar o pacote ofertado pelo site.

Nesse momento de pré-seleção, podemos ser tão exigentes quanto um funcionário de RH:

- Não, muito alto. Nossa, que gordo! O quê? O último CD que ele comprou foi da Axé Blond? Ariano? Nem pensar! PRÓXIMO!

É a hora de sermos os contratantes e os contratados.

Acredito que esse tipo de procura soe tão natural quanto um Tang de laranja. Primeiro você seleciona os melhores grãos, depois verifica se valerá a pena passar o café, e somente no final, após duras análises, decidirá se irá tomá-lo ou se trocará a promissora bebida por Coca-Cola.

Um processo quase tão envolvente quanto uma inseminação artificial.

É como começar algo de trás para frente. Antes acessa o intelecto, logo após chega no físico, e assim que os dois obstáculos tiverem sido transpostos, é que você checará a veracidade dos fatos a fim de descobrir o quanto a outra pessoa mentiu ou omitiu a seu respeito.

E o resultado não costuma ser muito animador.

A febre virtual está ceifando a paquera, a conquista lenta, a admiração mútua. Estamos invertendo etapas, buscando soluções imediatas. Não queremos perder tempo, queremos um amor a dois cliques. Talvez, com o rápido avanço tecnológico, consigamos no futuro fazer até o download do escolhido.

Alguns podem até pensar: para que começar do capítulo 1 se posso abrir na última página e já descobrir quem é o assassino do livro?

Bom, nesse caso, eu pergunto então: qual seria o objetivo da leitura?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

BELÉM NOVO

Sábado passado, o Sr sono após ter me proporcionado uma noite inesquecível, resolve me abandonar às 8h00 da manhã. Veste sua roupa e vai embora sem nem ao menos deixar um bilhete de despedida. Sim, em pleno sábado eu estava cedinho da manhã mais desperta que usuário de cocaína.

O que fazer? A televisão é uma caixa grande ocupando lugar na sala que não passa nada que preste, os amigos dormem todos até a hora do café da tarde e escutar música a essa hora certamente traria o síndico de pijama na porta da minha casa mandando eu baixar o som...O que me resta? Gasômetro!

Peguei minha francesinha e fui pedalar na beira do rio (o rio que não é rio nem lago nem lagoa). Com mp3 nos ouvidos, eu cantarolava baixinho. Tinha a esperança de encontrar alguém para conversar. E não é que eu encontrei? Dois ciclistas vieram puxar assunto comigo, perguntaram se eu não costumava fazer passeios e eu respondi que não: pedalava só eu e meu fone de ouvido. Essa resposta não tardou a receber uma réplica que me arrepiou:

-Hoje às 14h30 o pessoal vai se reunir no Ecoposto para fazer um passeio. Provavelmente até Guaíba. Não quer ir junto?

Engoli em seco pelo nervoso e pela sede. Tomei uma água e pensei: Guaíba? Fala sério, não vou nem até o Leopoldina porque é longe pra cacete. Imagina Guaíba? Tentei desviar a atenção e conversei sobre outros assuntos. Política, futebol, medo de altura, frango a pururuca...Qualquer coisa que os fizesse esquecer de me convidar novamente.

O problema é que convidaram... E eu aceitei. Fudeu!!!!!!!!!!!!

Fizemos hora comendo um xis e nos tocamos para o posto. Chegando lá só estava nós três, e eu pensei: beleza, não vai ter passeio. Vou ter a desculpa que preciso para voltar para casa O LUGAR QUE EU NUNCA DEVIA TER SAÍDO!!!!

Não chegou a completar 10 minutos e um enxame de bicicletas pousaram no posto. Senti cada gotícula de suor esguichar da minha pele. Minhas mãos suavam, o coração era de um hipertenso. Precisava me acalmar. Olhei para cabeça de todos e percebi os capacetes, eu, obviamente, não tinha nenhum. Respirei aliviada e comuniquei ao meu colega:

-Melhor eu não ir, tá todo mundo de capacete e eu não vou fazer uma distância longa sem um. - Achei que com isso eu pegaria meu banquinho e sairia de fininho.... Ledo engano!

-Não seja por isso, vai com o meu!

Puta merda, fudeu duas vezes!!!!!!!!!!!! Eu estava lá, com protetor solar emprestado de um, capacete de outro, bolsa amarrada no bagageiro e pensando porque eu não li meu horóscopo antes de sair de casa!

Nessa hora chega um rapaz, o João, e comunica o destino do passeio. Ele, com ares dóceis largou a bomba de Hiroshima:

-Galera, estamos pensando em ir até Belém Novo. Vocês estão de acordo?

Belém Novo??????Pensei eu! Eu nunca fui lá nem no conforto de um carro. Esse cara por acaso é a reencarnação latino-americana do Hitler?!?!?!?!??!?!?!

Ali, naquele momento eu decidi, não vou! Não adianta, vou ter que pedir pinico. Porém, olhei todo mundo e pensei: vamos lá Georgia, você tem 26 anos. Uma mulher cheia de energia, vamos encarar...E encarei. Apertei o cordão do capacete, fiz o sinal da cruz quando todos estavam olhando pro outro lado e fui atrás da fila indiana de bicicletas.

Quando eu desci a lomba eu não me arrependi da decisão.

Na verdade, me arrependi quando tive de subir uma.

Arfei igual um cachorro com sede.

A galera foi muito gente boa comigo, volta e meia olhavam para meu rosto para ver se eu não estava roxa igual ao Barney. Tive um suporte de água graças ao meu colega e também tive o privilégio de conhecer pessoas muito interessantes, umas mais do que as outras.

Após muitas subidas, descidas e estrada plana; chegamos em Belém Novo e as minhas funções vitais continuavam a exercer suas tarefas diárias. Paramos embaixo de uma árvore enquanto eu tentava inspirar oxigênio e expirar gás carbônico. Meu diafragma subia e descia, a cabeça latejava e o vermelho da pele ardia! Ali, parada na sombra, eu sentia o vento agradável e pensava que tinha valido a pena. Achei que não chegaria e cheguei, estava ali. 5 kg mais magra e com a francesinha cosmopolita.

A poesia acabou quando lembrei da volta.

Ai jesuis!

No retorno, um colega foi pego por um ônibus da Vicasa. Teve algumas escoriações, passava bem, mas obviamente teve atendimento emergencial. Quando a ambulância da Samu chegou quase que eu pedi: me leva junto!!!!! Mas o medo do ridículo fez eu tapar o nariz e engolir o remédio ruim.

O retorno foi cansativo, minha cabeça doía cada vez que a bicicleta passava num buraco. A impressão que eu tinha, é que estava acontecendo uma festa dos 100 anos da rádio Farroupilha dentro do meu cérebro.

Quando pegamos a 3° perimetral e avistei a Ipiranga, quase cantei o hino nacional do Ipiranga às margens plácidas. Cheguei, viva, salva, cansada, exaurida. Tive escolta até a porta do meu prédio. Uma agradabilíssima companhia.

Se eu faria tudo de novo? Não faria, vou fazer amanhã!


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

PLAYBOY

Agora é moda. Jovens atrizes saem da Malhação, conseguem um espaço 2 x2 na TV e pronto: viram capa da Playboy. A Juliana Knust, uma menina linda e muito talentosa que está na péssima novela das oito, vai ser capa da da famosa revista masculina em dezembro.

Porém, eu me questiono: para quê? É uma regra? Ser gostosinha = ficar pelada? A Juliana está tendo o primeiro papel de destaque na carreira e já tá lá, mostrando suas fartas carnes para porteiros, motoristas e jornaleiros.

Uma Iris Stefannelli, ex big-brother, ficar nua, não é de se espantar, afinal, ela entrou para o reality show com esse intento, e além do mais, bem sabemos que os dotes da moça são da sobrancelha para baixo (sim, porque acima dessa já pega o cérebro). E também, como não pensar isso se segundo a própria "Siri" numa declaração a uma revista, disse: "o que mais me orgulho em mim é a minha bunda..." Ainda bem que bunda não fala, pois do contrário, essa diria que a recíproca não é verdadeira.

Entretanto, uma guria com talento, com tudo para ter destaque quem sabe até no exterior, se rebaixar a esse nível, não dá para compreender. Depois elas darão entrevistas para "Caras" e dirão: estou cansada de fazer o papel de gostosa, quero mostrar que tenho talento...Ah sim, estão no caminho certo. Sobe um pouquinho o ibope e pronto, Playboy lá vou eu!

Entretanto, existem meninas lindas que se dão o respeito e estão conseguindo ganhar espaço na TV, cinema e teatro. É o caso da Débora Falabela. Essa atriz é extremamente talentosa, dona de traços perfeitos, porém, dúvido que algum dia ela vá aceitar manchar anos de trabalho por um punhado de dinheiro.

Não sou puritana a ponto de dizer que não se deva tirar a roupa. Pode. Mas então que a cena exija, que a profissão te exponha a isso. E não que por iniciativa própria você mostre tudo aquilo que só seu namorado e seu ginecologista devem ver.

Agora em início de carreira a Playboy pega, mas depois, quando os programas de fofoca fizerem reportagens do tipo: por onde anda fulana de tal; aí o destino será a Sexy.

As mulheres estão perdendo a vergonha...E ficar sem-vergonha não é bom prá ninguém, até porque quem tira a roupa por dinheiro não é atriz e sim meretriz.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

MULHERES QUE AMAM DEMAIS

Eu e algumas amigas próximas, fazemos parte de um seleto grupo formado por mulheres que amam demais e que têm como subtítulo mulheres que doam demais, que idealizam demais, mulheres que sofrem demais.

Mulheres que agem conforme a cartilha de etiqueta amorosa, que o tempo todo mantém uma conduta retilínea, que se atiram numa relação tal qual a bomba caindo do Enola Gay sobre Hiroshima...

São aquelas moças que se o cara diz que vai ligar às 15h00, às 14h55 ela já está armada ao lado do telefone pronta para roubar a vida de quem ousar ocupar a linha naquele momento. Dão o seu melhor e não toleram nada menos que o melhor do outro. Em suma, se oferecemos chocolate suíço, guarde o seu neugebauer para a sua avó.

Mulheres que amam demais não costumam utilizar de coerência, a elas lhe sobra apenas a força emocional em estado bruto. Somos tão irracionais quanto uma dizima não-periódica. Não contrarie, não cutuque, não alimente, a menos, claro, que goste de viver perigosamente.

Entretanto, nem tudo é Gardenal, a loucura existe mas ela vem acompanhada de um motivo que nos faz romper a camisa de força. Nós, mulheres à beira de um ataque de nervos, temos um estoque de amor, cumplicidade e parceria tal qual o estoque de cervejas na casa do Homer Simpson. Porém, quem não devolve todo esse investimento tão rápido o receba, verá suas ações na bolsa de valores caírem vertiginosamente. De sócio majoritário a motoboy.

Mulheres que amam demais não costumam ficar no prejuízo, elas cobram a fatura e cobram já! Toda nossa clareza, nossa capacidade de devoção física emotiva e sexual, o carinho, a intuição, a condição de se dividir de um número primo para um resultado exato, tudo isso tem um preço. Mas não é qualquer um que pode pagar. Afinal, amor à primeira vista não aceita parcelados.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PELADA, PELADA NUA COM A MÃO NO BOLSO!!!

Está no jornal, Mônica Veloso após posar nua lança um livro, "O poder que seduz", e tem ambição de virar apresentadora de tv.
Bom, se eu tivesse trocado Mônica Veloso por Adriane Galisteu, só mudaria a cor da tintura de cabelo, em nada alteraria a frase.

No jornal, a senhora Veloso afirma que fará diversas palestras no Brasil no decorrer dos próximos meses. Ok...Mas palestra do quê??? Como agarrar o presidente do senado, ter uma filha, posar nua e escrever um livro, tudo em 10 lições ou seu dinheiro de volta? Ora, faça-me o favor!

Existe uma classe profissional muito respeitada por mim porém muito denegrida pelos outros: o meretrício. As mulheres que ficam numa esquina ou até mesmo numa casa de prazeres para servir sexualmente os clientes que buscam satisfação imediata. Costumeiramente chamadas de vagabundas, putas e afins. Hum...será merecida tão pejorativa alcunha?

As prostitutas acertam ANTES de qualquer coisa, valores, o que é permitido fazer e o tempo de duração. Transparência na "transação". Profissionais do sexo.

Agora voltemos à Sra Veloso. Tem um relacionamento com um homem velho e feio. Porém, presidente do Senado e com auxílio lobista doado pelo governo todo mês. Ela se apaixona tão perdidamente que tem uma filha com esse homem. Mantém o relacionamento no anonimato e então, pelos poderes de Grayscow, eis que lhe recai a força da honestidade que a faz detonar com o pai da sua filha em prol de uma sociedade mais justa e igualitária. Aproveita sua bela forma e aceita o convite para estampar a capa da playboy. Não suficiente, escreve um livro para mostrar que além de bonita tem alguma capacidade intelectual e dá o tiro final: virar apresentadora de tv.

Sim...Isso tem nome, e coincidentemente começa com V de Veloso. E aí, quem é a puta agora?

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

CASAMENTO

Uma psicóloga num programa de entrevista disse: "os casamentos acabam porque o casal quer manter o namoro dentro dessa nova situação. Impossível, casamento é uma outra fase. Não tem como manter uma relação que já avançou para outro nível."

Por pouco não desliguei a tv e fui para um bar encher a cara. Como assim? Quer dizer que os recadinhos em lugares estratégicos, os suspiros, as surpresas sexuais, gastronômicas e a produção visual para cada novo encontro vai tudo parar num arquivo morto depois de sair do cartório?

Aonde vão se instalar o sexo passional, a paixão, o romantismo, a Moscatel de sexta-feira com velas aromáticas e óleo de massagens? Vai tudo ser esmagado por uma pilha de contas a pagar ou será morte por afogamento de tanque cheio até a boca?

Não tenho a pretensão de querer que o casamento se pareça macio e suave como um pêlo de chinchila, mas também não espero que o mesmo tenha a textura de um porco-espinho assustado. Sei que manter o namoro dentro do casamento é como manter a infância dentro da vida adulta. Não faz mais sentido, tudo acaba soando meio ridículo, inadequado, e quando se tenta provar o contrário, o resultado pode ser a prova real de que a conta não estava correta.

Imagine um casamento que já existe há algum tempo, as novidades se foram, a rotina criada a Toddy está cada vez maior e se prepara para cravar os dentes naquela relação aparentemente inofensiva. A mulher pressente o bote e de antemão já prepara o antídoto: um jantar a luz de velas com uma comida especial, casa limpa e arrumada, uma roupa ousada e a mesa artisticamente organizada. Ela ouve um barulho de chaves na porta, respira fundo e ele pergunta atônito: "ué, faltou luz?" Naquele momento a fome passa, ela assopra as velas e ilumina a sala.

Ele percebe a gafe e reacende o pavio. Ela sorri com uma feição de fracasso e pensa: inútil acendê-la, essa chama já apagou faz tempo.

E a rotina mais uma vez subiu ao pódio.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

REDAÇÃO ENEM 2007

Após receber a notícia que fiz 95 na prova de redação do enem, eu vou me exibir, me pavonear e mostrá-la no meu blog. Sim, narcisismo puro. E como é bom ter motivo para se orgulhar.


A relação das diferenças.


Afirmam os historiadores que a única igualdade social já vivida foi na Pré-História. O comunismo primitivo imperou até a Revolução Neolítica. Ponto esse, que fracionou a hegemonia cognitiva e fez iniciar as castas e as diferenças. Hoje, discute-se qual remédio atuará como paliativo na tentativa de eliminar a "chaga" do preconceito.

A marca do nosso polegar na carteira de identidade confirma: não existe possibilidade de repetirmos nossas linhas. Uma sabedoria da natureza criativa de nos diferenciar. Entretanto, o caso do Henry Ford, inventor da produção em série que enriqueceu fabricando carros uns iguais aos outros, nos leva a inferir que a igualdade pode nos ser uma brilhante prerrogativa. Conviver com o semelhante nos poupa de interpretações. Não é necessário ler a nota de rodapé quando já conhecemos a integralidade do texto.

Contudo, a frase "somos todos iguais mas uns mais iguais que os outros", confirma a inerente ganância do ser-humano. Esse, sempre achará um meio de se sobressair do mais fraco. Não é em vão que o socialismo criado por Karl Marx tinha uma vertente utópica. Lidar com a diversidade nos expõe a constantes exercícios de condescendência e flexibilidade. Infelizmente, a prioridade da maioria está em desenvolver músculos voluntários na academia e rechaçam a oportunidade de, por meio da cidadania e tolerância, fazer do coração, músculo involuntário, o primeiro a se tonificar.

Se misturarmos todas as cores de tintas o resultado será uma só tonalidade. Não importando se é primário ou secundário, todos temos a mesma origem e o mesmo fim.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

BICICLETA

Peguei meu meio de transporte que me leva graças às leis da física, e pedalei até o posto de gasolina mais próximo. O atendente, muito simpático, elogiou minha bicicleta e colocou as 35 libras que pedi. Ao findar o processo, perguntou se eu não queria conhecer a bike dele, eu consenti e então veio ele com a magrela que o traz para o trabalho diariamente.

Uma pessoa que trabalha num posto de gasolina chega até o local de bicicleta, refleti. Perguntei onde morava e ele respondeu que era atrás do morro Santana. Isso justificava as torneadas panturrilhas.

Saí de lá direto para o meu trabalho pensando na qualidade de vida que se ganha trocando carros e ônibus por força mecânica e um pouco de suor.

Tudo bem, vir para o escritório de bicicleta impede que eu use saltos, saias e decotes de pedir desconto em feira. Na verdade, preciso estar com uma calça confortável, um tênis, óculos escuros e os cabelos presos para não atropelar ninguém na hora que o vento resolver cobrir meu campo de visão. Preciso também usar maquiagem leve, pois subir a Nilo indubitavelmente te faz lembrar que existem glândulas sudoríparas espalhadas pela pele.

Chegar de bike te deixa ofegante, você leva um tempo para finalizar a respiração" cachorro com sede". Entro no prédio me abanando com a palma da mão e descolando a camiseta do peito. Nenhum grande problema, afinal, o ar-condicionado de frigorífico evaporará qualquer resquício de água que ainda escorra pelo meu corpo.

Um desodorante potente também é fator imprescindível para que o local de trabalho não se torne insalubre aos demais.

Porém, ganho qualidade de vida, coxas mais torneadas, queimo calorias, queimo o mau-humor. A endorfina existe, ela está ali para ser produzida e liberada. A mesma gravidade que me puxa para baixo na subida, me alivia o cansaço no retorno.

Não poluo, não produzo poluição sonora, o som que acompanha meu passeio vai direto para meus ouvidos via um potente fone de mp3. Saio do sedentarismo e me ponho em movimento. Nessa hora me lembro da Europa e todas suas ciclovias, o respeito para com o ciclista e penso: o Brasil que adora copiar, na hora que realmente precisa apertar a tecla iniciar do xerox, a máquina trava por falta de folha.

Mas enquanto meu passaporte não for carimbado rumo ao velho mundo, vou continuar andando na calçada e desviando dos pedestres. Tô pouco me lixando pras caras feias de quem pensa que calçada não é lugar de ciclista. Sou jovem demais para virar presunto de asfalto e não tenho a menor culpa de ter nascido num país subdesenvolvido que não vê o benefício de se investir no ciclismo como meio de transporte. Uma droga de país que pensa que se encharcar de perfume francês vai atenuar o inerente cheiro de colônia de supermercado.

O problema é que segue fedendo, colônia de merda!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

AMOR

Há algum tempo eu tinha em mente que o amor precisava ser apoteótico. No mínimo, que eu e o cônjuge aparentássemos estar sofrendo de mútua síndrome do pânico. Respiração acelerada, batimentos cardíacos de maratonista, mãos suadas e trêmulas, um vago olhar de autista ao pô-los frente a frente...

Era bateu e doeu. Não tinha essa de esperar o amor brotar. Quem brota é grama. O amor precisava ser fast food, aqueles que você abre a caixinha e já está comendo. Nada de pratos complicados que demoram para ficarem prontos. Minha fome era intensa, quero amor e quero agora. Se não for assim eu não brinco mais.

Só que aí, a gente cresce.

De repente, você percebe que a ânsia adolescente em reproduzir remakes de Romeu e Julieta, existe apenas por uma imatura necessidade psicológica. Que é impossível existir amor à primeira vista levando em conta que para amar você precisa antes conhecer, e numa primeira olhada você não conhece nada, nem se a pessoa é serial killer nem se prefere o lado esquerdo ou direito da cama. Como nutrir amor pelo que te é estranho?

E então, a história muda.

Você conhece alguém que a princípio te deixa atraído, depois, te arranca risadas, no próximo estágio te mostra as afinidades, e no final estão vocês dois sobre a cama descobrindo as potencialidades daquele relacionamento e avançando rumo à descoberta do mais nobre dos sentimentos.

Ok, isso leva um certo tempo. Ainda não existe curso intensivo de férias para o amor. É necessário ter paciência para que surja e também paciência para que não morra no primeiro atrito entre as partes interessadas.

O amor vem sim...Mas ele é tímido, não gosta de alarde, quer passar despercebido, prefere andar disfarçado para não causar alvoroço. Como um espião que primeiro conhece seus hábitos para só então te dar o flagra. A amor é esperto, antes do bote ele vai te cercar, te inocular, e quando você pensar que está tudo sob controle: prepare-se! Ele acaba de fazer mais uma vítima.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

TRABALHO FEITO

Essa gaiola ficou pequena.
O canário cresceu e perdeu a pena.
Pena de mim, pena cumprida.
Chegou a hora de começar a vida!

Trabalho 8 horas por dia
Segundo Marx duas são da mais valia.
Mas o que vale mais?
A fortuna do meu patrão ou minhas 40 horas semanais?
Um terço do meu tempo não pertence a mim.
Sou o cavalo puxando a carroça que trabalha pelo capim.
De segunda a sexta vejo minhas células envelhecerem e meu cérebro encolher.
O trabalho enobrece o homem mas ninguém me avisou quanto ao emburrecer
Sou um ponto positivo na estatística do jornal
tenho carteira assinada embora ganhe muito mal.
Um presidiário custa ao governo o dobro do meu salário
E ambos vivemos quase no mesmo cenário
Presos, emparedados, mas eu não roubei, eu não matei, eu tô dentro da lei.
O que me difere então de um marginal se me sinto uma criminosa na condicional?
Cometi a transgressão de indagar, de refletir
refletir que somos a soma de quem só nos quer subtrair
Posso ir dormir todo dia em casa
E se tiver bom-comportamento, o chefe até alivia e dá um aumento
Então siga as dicas:
cala a boca e não fala de mente cheia
Você é o mosquito e ele a aranha na teia.
Não diga o seu sagrado nome em vão e não engula desaforo se for arrotar palavrão.
Faça hoje igual o que você fez ontem e deixe para amanhã o que você fará no dia posterior
Continue até que você veja sua vida perder a cor.
Vista a camisa da empresa para nao ser um descamisado
Obedeça para não subir o número de desempregados
Aceite a subserviência e diga muito obrigado
Afinal de contas voce é pobre mas não é um mal-educado.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A BRASA MORNA DO BRASIL

Lendo um livro sobre a história do Brasil me veio à luz uma questão importante. Os países que hoje integram o G7 somente são grandes potências porque fizeram revoluções no momento certo com o intento de se libertar da dominação colonial ou da subserviência imposta por um rei.

Com a devida coragem e organização coletiva, eles romperam um laço ao abrir caminhos para o desenvolvimento e o lucro advindo do mundo capitalista. Pois bem, mas e o Brasil? Não teria sido diferente nossa história se no momento em que o mundo estava tomado por revoluções de independência nós também tivessemos feito a nossa? Se ao invés daquela palhaçada que foi nosso 7 de setembro nós tivéssemos de fato nos libertado antes da dominação colonial?

Vejam o exemplo das 13 colônias britânicas, hoje a potência dos EUA, eram meros colonos dominados pela Inglaterra que com o desgaste oriundo da exploração inglesa se rebelaram. Os EUA foi o primeiro país a assumir a forma de república e não de monarquia, foram pioneiros no rompimento do pacto colonial. Porque então nesse momento em que o mundo pegava fogo o Brasil não se mexeu? Enquanto os EUA começou a se industrializar o que nós fazíamos aqui? Éramos sugados pela coroa portuguesa que às custas do ouro de MG enchia os cofres lusos.

Pergunto-me, porque nesse momento não aconteceu a verdadeira revolução no Brasil? O que nos coibiu de seguir o exemplo das 13 colônias, gerando assim um sentimento coletivo de libertação? Fizemos revoltas sim, mas foi um punhado de baiano lá em cima, outro de paraense, uns gauchos do lado de cá...Foram rebeliões que não deram em nada porque não foi uma atitude geral, foram apenas retalhos da vontade de poucos contra a negação de muitos. Grandes elites estavam satisfeitas com a importação de manufaturados ingleses que entravam aqui a taxas baixíssimas em troca de vendermos nossos produtos primários, até hoje, na lista de principais itens exportados pelo Brasil. Estavam satisfeitos em explorar esse país até a última gota, e hoje, em época de eleições, isso se mostra cada vez mais reativo.

Entretanto, o tempo de uma revolução já passou. Atualmente, uma luta armada só nos faria sofrer embargos e sanções econômicas nos tornando assim reféns da teia em que estamos enredados. A consequência seria o Brasil virar um país de economia fechada como o de Fidel Castro. Uma Cuba dos trópicos. O que me leva a concluir que ainda somos uma grande colônia, a diferença é que hoje a metrópole fica na América do Norte e não mais na península ibérica.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

MÁGICO DE OZ.

Bom-dia, eu tenho uma reunião com o Mágico de Oz.

-Qual seu nome?

-Georgia.

-Pode entrar.

Cruzei o corredor que levava à sala do famoso mágico. Na porta, uma placa: Dr Oz. Dei três batidas e entrei. As mãos suavam.

- Sente-se por favor. Então mocinha, você também quer seguir a carreira artística?

-Como?

-Sim, como a Dorothy. Hoje recebi um telefonema do seu empresário dizendo que ela terminou de gravar o clipe do remix de Over the Rainbow. Eu sabia que aquela menina ia longe. Ela tem visão empresarial, como se não bastasse ter um hit nas paradas de sucesso, ser capa da Rolling Stone desse mês, ela ainda lançou a própria linha de sapatos vermelhos.

- Não, o senhor não...

- Já aviso que 40 % do total do seu faturamento serão meus. Só trabalho com essa média.

-Por favor, escute, eu não quero seguir a carreira artística.

-Ah, então quer um cérebro como o espantalho? Nós temos vários modelos. O poético, o físico, o matemático o literário...E o nosso último lançamento que reúne todas as capacitações. Ele é bem caro, mas aceitamos parcelamentos em até 5 x sem juros ou também cheque para daqui 30 dias. O espantalho agora montou uma fábrica onde terceiriza outros espantalhos para plantações. Com o cérebro que ele adquiriu ganhou o poder e o respeito.

- Não é nada disso, me deixe expl....

-Coragem! Isso!!!! Você quer a coragem do nosso bravo leão. Veja, ele hoje é segurança de baile funk no Rio de Janeiro. Pede aumento de salário para o chefe e dá boa-noite para a esposa com marca de batom no colarinho. Praticamente um guerreiro.

- Pela última vez...

- Coração? Você precisa de um coração?

- Olha meu senhor eu já tenho um. Não foi para isso que vim.

-Mas você pode precisar de um novo, o homem de lata hoje se emociona até escutando "Feelings", abriu uma ONG para dar abrigo às latas que são jogadas no lixo, e se apaixona até por hidrante.

- AI SENHOR DAI-ME PACIÊNCIA!!!!!!!!!!

- Paciência, sim, temos vários tipos. A paciência de mãe, paciência do monge tibetano, paciência para quem trabalha com telefone...Qual desses te interessa?

- Olha, eu não quero seguir carreira artística, não tenho vocação para fama e tenho muitas polegadas de quadril para sair na capa de uma revista. Não preciso de um cérebro, ele é meio defasado na área de exatas mas me defendo bem com a minha aguçada percepção do mundo, tampouco preciso de coragem, conseguindo matar baratas com chinelo já faz de mim uma Lara Croft. E coração, tirando o fato de ser uma gaúcha que adora uma carne bem gorda, ele vai muito bem obrigada. Estou aqui por outro motivo.

- Bom e qual seria?

-Como se sai da porra dessa terra? Eu tava dormindo na minha cama e quando saí de casa para vir trabalhar eu tava aqui. Na frente de um caminho gigantesco de pedras amarelas. Eu só quero voltar. Por isso vim até aqui. Como faço para sair desse fim de mundo?

-Engraçado, deve ter havido algum engano. Vamos tentar fazer um recall, mas me diga de que país você é?

-Brasil.

- *gargalhadas* E chama isso aqui de fim de mundo??????

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

MEU LADO A E MEU LADO B.

Uma pessoa para estar comigo precisa muito mais do que apenas amor e paciência. Ao somar esses dois itens se faz necessário diminuir os parafusos na cabeça e multiplicar a alheia complexidade.

Os simples, os comuns, os rasos, não tem bagagem para lidar com um vírus tão mutável como eu. Quando se pensa que descobriu todas as suas formas, corre-se para o laboratório e prepara urgentemente o antídoto, porém, antes mesmo de esvaziar o tubo de ensaio, o vírus já adquiriu mais uma desconhecida faceta, e o cientista acabou de perder um pouco mais de cabelo.

Sou o ontem e o amanhã de hoje. Anacrônica, atemporal, atípica. Contrária à lógica, subversiva à rótulos. Vadia, santa, criança, adulta, esperta, estúpida. Muitos ingredientes em um só frasco. Meu sabor ora azedo, ora doce, não é para qualquer tipo de língua. Minha adrenalina não é para qualquer tipo de sangue.

Anseia em bater as asas e ao mesmo tempo necessita da segurança da gaiola. A mesma pessoa que mataria uma onça com as mãos para comer, prefere um almoço com pão dormido apenas para não ter que cozinhar.

Amante da solidão e com fobia de se sentir sozinha. Carente de afeto e com repulsa de seu excesso. De uma inteligência fosca e de uma estupidez brilhante à genialidade de raciocício e epifanias.

Eu sou o banquete do rei e a refeição do plebeu. E para estar comigo, a pessoa precisa estar acostumada não somente à fartura mas também à inanição. Armazenar a atenção de ontem para se alimentar dela amanhã. Assim como os camelos que atravessam o deserto sem repor comida e água, quem está do meu lado também tem de ter a mesma habilidade. Afinal, o oásis está logo ali na frente, e ele não é uma miragem.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

DONA VILMA

Eu tenho uma vó. Sim, todos temos ou já tivemos uma. Porém, não igual à minha. A grande matriarca da família Araújo, não é uma senhora de cabelos brancos, ares dóceis e com bolo sempre quentinho saindo do forno. Estamos falando da dona Vilma e não da dona Benta!

Minha vó é ditatorial, com ela não tem desculpa. Se ela dissesse ao Hitler: "vá já pro banho" o chanceler alemão não teria tempo nem de pentear o bigode.

O Michael Jackson que adora dormir numa bolha, poderia passar uns tempos na casa da dona Vilma. Afinal, lá a poeira e os ácaros só existem em reportagem de revista.

Acredito que ela tenha uma planilha interna com todos os itens da casa catalogados em local, cor e série. Se você perguntar a ela aonde está a agulha que costurou a bainha da sua calça do uniforme no ano de 1988, ela saberá te dizer com uma precisão científica: tá lá na segunda gaveta da cômoda dentro de uma caixinha amarela, é a terceira agulha da esquerda para a direita.


Ela é macho. Mata barata, conserta encanamento, faz reparos elétricos e abre potes de conserva com a força do Highlander! Um homem se a visse pegaria seu banquinho e sairia de fininho.

Se algum objeto estraga na mão dela, vire-o de cabeça para baixo e procure o adesivo: made in china, pois certamente será vagabundo demais até para resistir ao zelo da dona Vilma.

É a central de informações da família. Se quiser saber do primo tal não perca tempo ligando para ele, ligue diretamente para a vó vilma. Ela saberá quando, onde e porque!

Minha vó não tem papas na língua, se tu fizer algo errado, não espere que ela guarde seu erro em um silêncio sepulcral. Ela abrirá a boca e cuspirá uma lava de opiniões que fará o vulcão Kilauea, do Havaí, parecer uma maquete escolar.

É uma figura peculiar sim, uma avó que ao mesmo tempo que tricota meias para os netos também age com a autonomia de um general em batalha. Uma pessoa que já sofreu muito na vida e por isso a carapaça parece ser tão dura.

Mas não se engane, isso tudo é pura fachada. É só tu ignorar os caninos e arriscar um cafuné. E não se surpreenda se ao invés de um lobo raivoso você encontrar um poodle faceiro abanando o rabinho.

O que mostra que a dona Vilma nada tem de Vil e Má!

terça-feira, 31 de julho de 2007

ADQUIRINDO BAGAGEM DE VIDA

Eu adoro filme Elma Chips. Aquele que é uma delícia consumir mas que tem zero conteúdo. Ontem revi um no estilo salgadinho sem valor nutricional e quase me levou às lágrimas. De repente 30 (uma alusão feminina ao Quero ser Grande).

A história baseia-se numa menina de 13 anos na década de 80 que queria muito ser popular, e que através de um pó do desejo, acorda 17 anos depois. Ela, uma profissional bem-sucedida, descobre-se má, vazia e fútil. A garota entra em choque ao ver-se numa realidade tão próxima da qual ela queria mas tão distante a de seus princípios de adolescente.

Obviamente, ela era uma adulta com alma impúbere, o que lhe traz notoriedade e algumas confusões. Foi aí que me pus a pensar. Esse filme não é tão Doritos quanto eu pensava, existe uma certa profundidade na idéia original (mesmo não sendo tão original assim.)

Porque será que uma vez passada à infância, nós nunca mais retornamos ao ponto de partida? Balanços, balas com formatos divertidos, risadas fora de hora, ingenuidade, honestidade de gostos e preferências; porque isso tudo fica enterrado no sótão sob os nossos pés? É realmente necessário se tornar um adulto austero só para provar aos outros que de fato cresceu? Adquirir bagagem de vida significa virar um mala?

Tenho 26 anos, portanto, devo me alimentar direito. Mas e se eu quiser almoçar um pacote de bolacha recheada? Eu seria expulsa do clube para maiores? Tenho de me vestir de acordo com a idade, porém eu odeio bico fino e acho cabelos com luzes mais brega que casaco de lantejoula. Meu hábito de usar tênis e priorizar o conforto me tornaria impenetrável para quem se aproxima cada vez mais do paralelo 30?

Dou risada, como porcaria, acredito nas pessoas muito mais do que minha experiência de vida permite e tenho a transparência de um papel branco engordurado. Mantive ligações sólidas com minha infância e continuarei fazendo conexões entre a velhice e a tenra idade. Não pretendo me tornar amargurada, trajando roupas sóbrias e nem discutir a alta do dólar só porque minha zona eleitoral pertence aos nascidos na década de 80. Sou responsável e cumpro com minhas obrigações, mas isso não significa que devo me casar com a seriedade e fazer do stress meu segundo marido. Aliás, gente com muita pinta de madura não fica presa nos meus galhos, é rapidamente derrubada ao solo para que apodreça longe de mim.

Um dos e-mails que mais faz sucesso entre os internautas são os que relembram os brinquedos e atividades na época em que a Xuxa esmurrava criancinhas. Campeão de envios, essas mensagens, repletas de nostalgia, nos remete a um tempo em que queríamos muito ser grandes. E a pergunta que fica é: será que valeu a pena?

sexta-feira, 27 de julho de 2007

A BELA ENTORPECIDA

Diz a história que a Bela Adormecida recebeu a maldição de uma fada porque essa não foi convidada a ir na sua festa de nascimento. A fada rogou então uma praga de que quando a Bela Adormecida completasse 15 anos, ela furaria o dedo na agulha de um fuso e dormiria por toda a eternidade. Uma outra fada reduz o feitiço e diz que não será por toda eternidade, mas por 100 anos. Após isso despertaria com um beijo de um príncipe, casariam e seriam felizes para sempre.

A Bela Entorpecida versão 2000.

A mãe da Bela Entorpecida chegou em casa após um dia exaustivo de trabalho. Ela estava ajudando na reforma da casa do João e Maria e sentia enjôos frequentes. Pensou que pudesse ser devido aos doces e outras guloseimas usadas na obra, mas não. O HCG comprovou: ela estava grávida!

-Mais uma boca pra alimentar. Vou ter que fazer hora extra!
O pai da Bela Entorpecida trabalhava de traficante e estava agora numa viagem à Colômbia para trazer mercadoria. Ao retornar e saber da notícia não se alegrou também. A vida estava difícil. Sustentar a casa, família e os policiais não era fácil. Precisaria aumentar o carregamento.

- Você vai ter que fazê umas faxina na casa da Branca de Neve mulé. Lá com aquela anazada toda tem sempre muita coisa prá limpá. Vai se mexê que agora a coisa tá preta.

A família já tinha três filhos, com a chegada da Bela Entorpecida a situação exigiria um controle maior. O pai resolve entregar algumas novas tarefas aos filhos:

- Ô Cleidson, tu trata de vendê essas bala aqui no sinal senão quem leva bala é tu.
- Stefani, tu vai trabalhá de manicura, podi começar tirando os incravado da minhas unha do pé.
- Maicon, tu vai pro meio da rua fazer malabarismo com essas bolinha aqui. Imbaxadinha, empiná nu nariz, não me interessa. Te vira.

E assim a situação se agravou. Passaram-se os 9 meses e a Bela Entorpecida nasceu. Teve tiroteio no morro em comemoração e um pagode pros mais íntimos. Todos queriam conhecer a filha do respeitado traficante.

-Podi chegá, a minina é bunita mesmo. Minha cara.

Durante a festa chega um negão alto com um fuzil AR15 na mão. Ele estava com cara de poucos amigos.

-Fiquei sabendo que tu tá dando festinha e não fui convidado, qualé? Tá me tirano?

O pai da Bela Entorpecida quase se engasgou com a pizza de sardinha.

- Tu fica sabendo mermão, que isso não fica assim. Quando essa mina tivé 15 anos eu vou fazê dela a maior viciada do morro. Ela vai se injetá até por dentro dus olho.

Todos ficam aflitos, na mesma hora a mãe da Bela Entorpecida esconde todos os narcóticos que tinha em casa. O pai, preocupado, decide largar esse trabalho e desde as primeiras palavras da Bela Entorpecida já a ensina dos males que a droga faz.

Bela Entorpecida cresce e vira uma emo. Toda de preto e escutando Evanescence, ela percorre o morro. Comemorou seus 15 anos com uma turma de góticos no cemitério. Ela não era uma garota muito animada.

Um dia, indo para a escola, o negão a espera na esquina e a leva para um beco escuro.

-Vem cá mocinha, tenho um bagulho bom prá ti.

Bela Entorpecida mesmo ouvindo todo o papo-cabeça dos seus pais sobre as drogas, resolve experimentar e dá seu braço à prova. Fura-se com a agulha amaldiçoada. Desde então, Bela Entorpecida passa a fazer jus ao nome e se entrega ao vício. Passa a cheirar desde grama até enxofre, tudo o que dissessem que dava barato ela usava, mesmo que barato não fosse. Vende seu corpo e aceita até pagamento parcelado. Enrola o capeta por um alucinógeno.

Em fevereiro, acontece um liquida Porto Alegre no morro e Bela Entorpecida ultrapassa os limites. Mistura diversas qualidades de entorpecentes, tem uma overdose e fica em coma.

Os médicos não têm previsão para sua alta. Ela está inconsciente, dormindo por período indeterminado.

Passa o tempo e Bela Entorpecida morre. Isso porque o príncipe que a salvaria com um beijo, encontra-se agora gravando alguma versão de contos de fada da Walt Disney. Lá, no set de gravações, com lindas e perfumadas damas que esperam pela sua chegada e onde a arte não imita a vida.

A BELEZA NÃO PÕE MESA

Há algum tempo saiu na capa da ZH, que a aparência física ajuda, e muito, na hora de conseguir um emprego. Palmas para o genial redator. Pena que não é cientista, com tamanha percepção já teria descoberto a cura da Aids.

Não é de hoje que a beleza é trunfo fácil e moeda de troca. Quem pode nos garantir que na Pré-História, não eram as mais jeitosinhas as arrastadas pelo cabelos pra dentro de uma caverna em detrimento das mais "rústicas"? Como isso foi anterior à escrita, estamos incapacitados de ler o diário de algum neandhertal ou fuçar no seu orkut a fim de saber suas preferências sexuais. Portanto, vou me deter à atualidade.

Coloque um anúncio no jornal para um cargo feminino e verá, na manhã da segunda-feira, uma enorme fila onde nem sempre a mais apta à função terá seu nome escolhido. Se o selecionador for um homem então, esqueça o currículo, mande logo uma foto de biquíni frente e verso.

Obviamente, não somente mulheres tem a preferência de escolha. Homens também vêem suas vidas facilitadas por um rosto bonito e um corpo bem-feito. A pergunta que me faço é: qual o mérito dessas pessoas?

Afinal, para ser bonito, bastou nascer. Foi apenas uma roleta-russa de espermatozóides onde casualmente o mais rápido fez também a melhor combinação genética. O nascido certamente sairá do útero de sua mãe de bruços puxado pelas pernas, porque esse sim tem o cu virado pra lua.

Entretanto, facilidades, não quer dizer passar impune pela vida. A cobrança em cima dos mais bonitos é muito mais aguda do que nos desprezados pelo Vinícius de Moraes. Quem nunca disse que a beleza de alguém era inversamente proporcional à inteligência? Ser belo e brilhante é uma afronta, afinal, já nasceu com uma grande qualidade, duas é imperdoável.

Confesso ficar confusa no que concerne esse assunto, em como pode a aparência física estar acima da capacidade e do talento. Qualidades para mim como senso de humor, cultura e humanidade, estão todas numa hierarquia nobre em relação a corpos e rostos. A beleza por si só é cansativa, desgasta se não ao tempo, aos teus olhos. Prefiro infinitamente mais um homem feio e divertidíssimo do que um Adônis insosso.

Personalidade sim é algo que independe de uma combinação genética. A que você tem é mérito seu, construída e idealizada ao longo de uma vida. Qualidades que independem da forma do seu nariz ou do tamanho do seu queixo. Agora, o que já nasceu pronto, não tem significado algum nas minhas escolhas, definitivamente não merece minhas palmas.

É uma pena que para nossa sociedade, a imensa maioria não compartilhe da mesma opinião que eu tenho. Uma verdadeira lástima que o ditado beleza não põe mesa seja verdade. Afinal, os menos belos que põem a mesa, os mais formosos serão os donos dos restaurantes.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

(IR) REALIDADE CONSUMISTA

Quer me ver bufar me ponha dentro de um shopping.
Quer me ver bufar e incorporar um exu de encruzilhada me ponha dentro da Renner ou C&A.

Mas prepare-se, as cenas serão fortes, é melhor tirar as crianças do recinto.

O shopping em si já me estressa. Assistir a fileira de pessoas numa alucinada procura por mercadorias como se fossem o Sr Indiana em busca do cálice sagrado, me faz questionar o sentido da existência.

Os transeuntes que peregrinam nos shoppings, pouco conhecem da educação e da gentileza. Interessados apenas no alívio instantâneo que o consumismo gera, ignoram trabalhadores e empregados.

Muitos nunca ouviram falar da palavra obrigado. A imensa maioria é incapaz de se levantar de uma mesa e pôr no lixo as caixas, copos e outros dejetos que produziram ao se alimentarem.

Sorrir ao ser atendido só se proporcionar desconto na compra. O empregado está ali para te servir, para que então olhar nos olhos e agradecer sinceramente? Não é necessário fazer isso pois o salário que ele ganha já agradece o fato de estar num subemprego atendendo um bando de mal-educados.

O shopping concentra num único lugar, pessoas de diferentes classes, e nessas diferenças você consegue perceber, que quem tem menos classe são os que justamente pertencem a mais alta.

Não há uma só vez que eu olhe para uma senhora que está limpando uma mesa e não pense nas oportunidades de vida que ela teve. Na dificuldade que deve ser não somente viver com o salário que ganha, como também estar constantemente enxertada entre os que tem muito mais do que ela.

A todas essas pessoas cujo campo de visão só alcança as liquidações, ofertas e vitrines com as últimas tendências, eu dedico esse texto e reafirmo: há realidade além do consumismo. Mas isso definitivamente você não adquire com o seu Mastercard.

terça-feira, 24 de julho de 2007

INSPIRAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO

Uma vez li num dos diversos livros de auto-ajuda que abundam as livrarias, a seguinte frase: as pessoas se apaixonam pela idéia, mas nunca pelo trabalho.
Notei uma sutil semelhança entre as páginas brancas e a moça branca que o lia de graça em alguma boa casa do ramo. Por sinal, a moça era eu.

Quantas vezes já troquei declarações apaixonadas, jurei amor eterno e fiz de muitos amigos meus, testemunhas dessa devoção entre as idéias e eu? Quando essas viravam trabalho, rapidamente o lirismo acabava, nem terapia de casais nem lingerie vermelha salvava esse relacionamento. Quando o trabalho entra, o amor sai. Simples assim.

Já perdi a conta de quantas vezes iniciei projetos e nem comecei a contar ainda os que finalizei (talvez porque zero unidades dispense cálculos.)

Minha trajetória de sucesso vai só até a página cinco. Um livro cheio de curtos capítulos sem desfecho porque a autora está sempre ocupada digitando o próximo.

É muito angustiante você perceber que tem os tijolos mas não tem o cimento. Que tem o material para erguer mas não tem a matéria-prima para unir, solidificar.

Ver seus talentos serem arremessados como pérolas aos porcos. Assistir suas idéias virarem parte do seu currículo de incompetência. Suportar todos os dedos velozes em direção ao seu nariz apontando suas falhas e suas derrotas.

Mas o que posso fazer se a idéia cheira a flores e o trabalho a suor?
Como posso jurar fidelidade a um objetivo, sabendo que na próxima esquina do meu cérebro um outro projeto, mais atraente vai me tirar o fôlego?

Não é fácil me pegar, minha dedicação é especiaria. E lembrando que a idéia, nada mais é, do que a junção das palavras ide e ia, nesse ir conjugado quem se vai agora sou eu.
Fui!

sexta-feira, 13 de julho de 2007

DIA MUNDIAL DO SILÊNCIO

Se existe o dia mundial do rock como é o caso hoje, porque não existe também o dia mundial do silêncio? Um dia sem telefones, sem motoristas bolinando suas buzinas, sem música ambiente, sem pessoas se socializando em volta de mim, sem televisão ligada na Globo quando chegamos em casa, sem ruídos internos, sem pensamentos se colidindo na quina da minha mente...Estou farta do barulho e vazia de silêncio. Preciso arrancar meus plugues e me formatar, calar o barulho vaidoso que insiste estar em evidência. Adormecer sem acordar com o zum zum zum vindo do meu subconsciente sempre tão boêmio e notívago...Preciso amortecer, me transferir para o vácuo, tendo a certeza de que lá, o som não se propaga...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

BOI COTA!

Há exatamente 119 anos, era encerrada a escravidão no país. Uma lei sancionada por pressão inglesa, libertava os negros de uma vida de senzalas, chicotes e propriedade senhoril. A princesa Isabel é quem molha o bico da pena na tinta e decreta, por meio da lei áurea, que agora os negros tem os mesmos direitos que os brancos de acordo com a constituição. Põe fogo no pelourinho, rasgam-se cartas de alforria, nada mais é necessário, negros e brancos partilham de uma mesma hegemonia, a igualdade se faz presente e numa terra sem lei a lei é cumprida...Será?

Aos negros era negado o acesso à instrução primária ou profissionalizante, eram trabalhadores livres porém sem terras para cultivar, além de não saber ler nem escrever. Como que esses "novos cidadãos" conseguiriam competir no mercado junto aos brancos? Só se fosse apostando corrida na frente da feira. A consequência de uma estrutura frágil é desabar, e foi exatamente o que aconteceu. Muitos ex-escravos preferiram permanecer junto de antigos senhores trabalhando em troca de um salário miserável, outros foram para a cidade vivendo em moradias insalubres e grande parte foi trabalhar como ambulantes, pedreiros, catadores de lixo e outras atividades de remuneração incerta. Soa familiar?

O Brasil é o segundo país do mundo com o maior número de negros, e surpresa: a imensa maioria deles está fora do mercado de trabalho, moram em favelas ou tem sub-emprego. Mudou-se a época, os costumes e a roupagem, mas a ferida aberta há mais de 500 anos segue exposta.
Agora vem o sistema de cotas, um paliativo por parte do governo de fazer um curativo com band-aid sobre uma lepra que bem sabemos, não cessará mediante tão anêmicas tentativas.
Distribuir vagas nas Universidades para negros só intensificará o racismo tão arduamente combatido por militantes como Martin Luther King ou Nelson Mandela.

Compreendo sim que os negros tem menos acesso à cultura e conhecimento, porém o que o governo quer fazer é calar a boca de uma meia-dúzia para se livrar do real dever que é reformular o débil ensino público e transformá-lo na mesma qualidade ofertada em escolas particulares. Eu não sou negra, mas não consegui entrar na UFRGS por ter vindo de um histórico escolar falido. O que me faz então diferente dos negros? A melanina?

Enquanto não investirem em qualidade, professores capacitados, infra-estrutura e acervo, o mundo continuará seccionado em duas metades: os públicos e os privados.
É extremamente cômodo ao governo abrir cotas, afinal de contas, eles não gastarão com absolutamente nada, tudo o que farão é assoprar a chaga para que doa menos.

O Apartheid que uma vez rechaçou os negros, agora rechaçará os brancos. O que nos mostra que a história se repete, só o que mudou foi a cor de fundo.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

FORMATURA NINGUÉM ATURA

Cerimônia de colação de grau é algo que na maioria das vezes me arranca bocejos intercalados com escárnio e irônicos risos. Saio de lá sempre com as costas doloridas, o saco cheio e alfinetadas não somente na coluna como também na mente: afinal, aqueles eram formados ou deformados?
O discurso é uma abundância de futuros do pretérito: eu queria agradecer, eu gostaria de lembrar, eu diria, eu falaria...Porque você não aproveita e calaria sua maldita boca, pelo amor de Deus? A criatura está de fronte ao púlpito justamente para prestar seus agradecimentos, então não precisa ter vontade de fazer, apenas o faça. Eu agradeço, eu lembro, eu digo. Por favor, presente do indicativo é o tempo verbal mais fácil que existe, então conjugue-o!

A platéia lotada, cruza e descruza as pernas, apoia-se ora no lado esquerdo, ora no direito na expectativa de que o sangue volte a circular antes que alguma parte do corpo gangrene tamanho o tempo que estão sentadas. Esses cidadãos têm a educação e a condescendência de aguardar o momento em que os seus respectivos formandos subam ao palco enquanto você atira palavras à esmo num excessivo e reduzido vocabulário. Portanto, não é de bom tom abusar da paciência alheia.

Já que qualidade está em desuso, aconselho-os uma volta à infância com a famigerada: um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra vocês! Agora, caso a noite signifique algo em suas vidinhas medíocres, peço a vós que preparem um discurso antes. Não tentem ser engraçadinhos se não tiverem munição para isso, tampouco serem profundos se forem tão rasos quanto uma piscina de lona. Sejam honestos com suas limitações e tenham compaixão por todas essas pessoas que só permitem ouvi-lo porque não são surdas, pois se pudessem apertar o fast forward, elas não pensariam duas vezes.

Nada de clichês, frases feitas, obviedades do tipo: queria agradecer à minha mãe que se não fosse ela eu não estaria aqui! Sério? Nooooossa, tô pasma!

Por favor, cuidar os excessos de sentimentalismos, aquilo é uma formatura, não um teste para protagonizar as novelas da televisa.

Atentem para as gírias, você agora é a elite intelectual de um país, honre esse título e mostre que pelo menos o português você domina. Vícios de linguagem corriqueiras como : tipo, assim, ãn, caraca, meu, pô; devem ser vetados. A menos que queiram parecer adolescentes da malhação vestidos de toga.

Existe um tempo limite para discursos, em geral pedem-se que seja em torno de no máximo 1 minuto e meio, portanto lembre-se que 99% das pessoas que estão no auditório, estão se lixando para suas lutas, dificuldades e o trololó vazio que permeia em noites como essa. Tirando sua mãe que deve estar chorando copiosamente, o resto quer mais é que você se dane. Sim, o mundo é muito cruel!

Cumpram as dicas acima citadas e eu prometo que da próxima vez que me convidarem para uma formatura, não vou mais dizer que prefiro dormir numa cama de faquir.
Mostrem-me que 4 anos de estudos serviram para alguma coisa. Nem que seja para fazer um belo e inspirado discurso de formatura!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

EM MAIL À SOLIDÃO

Existem vários tipos de solidões
A solidão de um fim de semana desértico, quando você acaricia o controle remoto e permite que seu gato te cubra de pêlos em troca de um colo confortável.
A solidão de estar no meio de casais apaixonados enquanto você percorre praças e parques com as mãos enfiadas nos bolsos e um passo arrastado.
Solidão de pegar um cinema em sua própria companhia no final da sexta-feira enquanto mesas de bar acolhem os adeptos da happy hour.
Solidão em atender um telefonema que não era para você.
Solidão por atitudes, pensamentos e valores não compartilhados pelos outros.
Solidão por ter muitos amigos na agenda e nenhum em horas necessárias.
Solidões diversas, uma para cada especialidade, mas hoje me detenho a uma em especial, a solidão virtual.
Quem nunca limpou os pulmões num extenso suspiro ao avistar uma caixa de e-mails vazia? Nenhuma mensagem de outra cor, todas do mesmo tom, já lidas, já conhecidas... A inexistência no seu inbox te acusa de impopular. Ninguém lembrou-se de ti. Nem spam tu recebes. Você que sorriria até mesmo se recebesse uma corrente, piadas velhas, imagens em power point com downloads que demoram mais de 10 minutos para abrir...
Diferentemente de uma carta, a internet e os torpedos de celulares nos dão o recurso de enviarmos mensagens e no mesmo momento serem recebidas pelo destinatário. Antigamente, estávamos sempre na esperança de que uma correspondência estivesse por vir, se não hoje, amanhã. Já atualmente, os novos meios de comunicação ( que por sinal estão cada vez mais velozes) acabam com nossas ilusões e nos dão a certeza de que se não há nada no visor do celular ou na tela do micro, é porque de fato, nada foi enviado. O virtualismo nos trouxe a uma vida ilusoriamente integrada, entretanto, mesmo com tamanhos benefícios, a rapidez e a prestatividade da internet e afins só serviram para uma coisa: nos mostrar mais instantaneamente o quão solitários nós realmente somos.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

O GRÊ E O NAL

Sou colorada por indução paterna. Quando pequena, meu pai me presenteou com uma camisa do Internacional sob o pretexto de que minha pele clara ficava muito bonita com tons avermelhados. Meu irmão, até então minha segunda referência masculina, também compartilhava da mesma escolha, o que me levou a considerar o Inter mais que um mero time, ele passou a ser regra familiar. Contudo, nunca fui atrelada à história futebolística do meu estado assim como a do meu país. Para ser franca, minha anêmica torcida girava mais em torno do dever do que pela paixão. Desconheço o jogo em si. A única regra que tenho alguma propriedade é a de que quando a bola entra na rede é gol. Se bem que há os impedimentos (que não faço idéia quando acontecem) o que me resulta numa semi-analfabeta da paixão nacional. Confesso que eu, anteriormente, estava torcendo para o grêmio ganhar a Libertadores, tendo em vista que era o meu estado X um outro país. Porém não adianta. Colorados e gremistas são raças diferentes, não cruzam entre si. A paixão que os une na Copa do mundo, é a mesma que os rechaça em disputas onde os times de Porto Alegre buscam suas respectivas vitórias. Duas facções que fariam o Al-Khaeda tremer as pernas. Onde um cai o outro se levanta para rir do tombo alheio. Terrorismo aqui é pouco.Assim como o Hamas, em breve Grêmio e Inter serão postos em clandestinidade. Ontem à noite, a derrota de uns trouxe foguetório a outros, e em meio ao bombardeio que fazia as paredes do meu quarto trepidarem, eu compreendi o que o futebol significa na vidas dos brasileiros. É muito mais que um esporte; é identidade, tribo, ideais. A fidelidade com que os torcedores vêem seu time cair, é a mesma que os mantém otimistas quanto à sua ascensão. A paixão pelo futebol acendeu em mim a chama de quase 20 anos atrás. A camisa uma vez dada pelo meu pai, não me serve mais, mas certamente serviu de pano de fundo para trazer à tona a compreensão do que realmente é ser gaúcha!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

AS RÁDIOS DA GALERA

Quem odeia locutores de rádio jovem levanta a mão! Provavelmente eu seja a única que erga timidamente meu braço com a exclusividade de ódio que me é dada. A repulsa se deve ao fato de que quando eu ligo o rádio para escutar música (vejam bem, escutar música) eu quero ouvir o que me levou a apertar o botão power. Entretanto, "em rádios da galera" a cada meia hora somos abordados por comerciais famintos de compradores, desses 30 minutos 10 são de algum locutor tentando ser engraçadinho para não entediar os ouvintes e assim impedi-los de migrar para a rádio concorrente, e os outros 20 minutos restantes serão de músicas que repetirão na próxima hora.
Gosto de locutores austeros, com voz clara, limpa, sem gírias. Estilo Guaíba FM. Até porque, eles estão ali para passar informação, e não para contar piadas. Se eu quiser rir eu ligo para o Régis*.
Muitos prestadores de serviços do meio de comunicação chegam até mesmo a invadir o espaço das músicas para continuar com aquele papo-furado de quem fala muito por não ter o que dizer, como dizia o sábio Renato Russo.
Outro tópico que muito me chama a atenção é o cartel da propaganda. Ou vocês nunca notaram que quando uma rádio dá propaganda, todas as outras também interrompem suas programações? Até as rádios evangélicas dão espaço aos patrocinadores.
E por fim, mas não menos importante, o jabá! Lobão já comprou essa briga ao sair de uma gravadora e optar por um selo independente. Vendia seu material em banca de revista e mesmo assim chegou à marca das 100 mil cópias vendidas. Pois bem, hoje, o Lobão voltou à ativa e está novamente em uma gravadora. A ele perguntaram o que era jabá e o mesmo respondeu: minha música está tocando na rádio, isso é jabá. Sim, jabá é você pagar para um artista tocar numa rádio. Parecido, mas não tão grave quanto, alguém burlar um concurso público e entrar no funcionalismo molhando a mão de alguém ou tendo algum padrinho de sem-vergonhice. Jabá é você pagar para ter espaço, pagar para divulgar seu dom (caso tenham algum) pagar para poder receber depois. Não foi exatamente isso que fizeram com a empreiteira Gautama? Favorecimento em troca de generosas quantias? E enquanto isso, excelentes bandas, cantores e músicos , se espremem em fundo de garagem no exato momento em que essa avalanche de dejeto musical invade as rádios. Foi-se a época do talento, hoje aptidão virou moeda desvalorizada. Não importa quão bom você venha a ser, se não pagar pelo seu espaço, quem vai pro espaço é você!

* Régis, autor do
www.frasesdeimpacto.blogspot.com

terça-feira, 19 de junho de 2007

BRASIL, MOSTRA A SUA CARA!

Estávamos eu e minha mãe num posto de gasolina esperando que meu irmão recarregasse a bateria do carro. Isso era um sábado por volta das 21h00. O vento que soprava para aquelas bandas da Venâncio com a João Pessoa era de arrepiar os bigodes, até meu cabelo devidamente "laqueado" teimava em mover-se mediante ao Minuano que se apresentava. Em meio ao suplício frio, um sujeito veio nos pedir moedas. Óbvio, um morador de rua não é exatamente o visual recomendado por cabeleireiros e estilistas, portanto causa um certo furor por parte de quem não compartilha de piolhos, sujeira e vida ao léu. Ao ver esse homem se aproximar, instintivamente, seguramos a bolsa junto ao corpo e arregalamos os olhos. Quando ele foi embora, resmungando, porque não conseguiu o dinheiro almejado, sentimos um alívio imediato, estávamos salvas. Mais além, eu o vi revirar sacos de lixo na provável esperança de encontrar um petisco rejeitado por algum abastado. Nesse momento eu me senti mal, muito mal. Fiquei tentando visualizar como seria a vida daquele que tem como colchão um pedaço de papelão e como objeto de calor uma garrafa de cachaça. Como se não bastasse a miséria como dama de companhia, aquele homem ainda causava repulsa e medo em quem ele se aproximava. Outro caso que aconteceu recentemente foi na frente do Bourbon Ipiranga, onde havia um adolescente no alto de seus 14 anos pedindo comida. Um homem em seu carro sai do estacionamento do shopping e grita para esse rapaz: vai trabalhar vagabundo! O garoto prontamente responde que já tentou conseguir emprego mas que ninguém quer dar trabalho para criança. A pergunta que fica é, como animal desses consegue dirigir tendo patas no lugar de mãos? Em que mundo esse quadrúpede vive? Se eu que tenho o mínimo de estudo exigido, boa apresentação e residência fixa, já fiquei mais de dois anos desempregada, o que deixar para um garoto que devia estar concluindo os estudos e em vez disso pede comida na entrada de um shopping center e provavelmente não sabe ler nem escrever? E ainda vem o presidente Lula dizer que brasileiro só fala mal de seu país no exterior. Que não se vê um Suíço falar mal da Suíça ou um italiano falar mal da Itália. É presidente Lula, temos realmente que melhorar a imagem do nosso país lá fora. Que tal chamarmos o publicitário Marcos Valério para encabeçar a campanha? Ou usarmos os 33 bilhões que foram desviados da saúde e da assistência social nos últimos 10 anos para pagar os custos dos anúncios? Vamos construir um outro Brasil no exterior para chamar os turistas, e se eles não conseguirem voltar para suas casas enquanto acampam nos aeroportos esperando vôo, eles relaxam e gozam, que é o que o brasileiro faz de melhor.

domingo, 17 de junho de 2007

ZÉ FINI

Estou absolutamente cansada de ver castelos ruírem, de assistir os cupins esburacarem minha madeira, de ler "The End" ao final de 2 horas de filme. Confesso não estar mais sintonizada com a estação " ruptura" FM, e também não estou mais a fim de escutar a vinheta da finitude ao final de cada ato. Há algum tempo que estou assimilando doses homeopáticas de separações na minha vida...Separação do meu apartamento, de melhores amigos, de familiares, da minha gata, de grandes e antigos amores...Estou pouco a pouco ceifando e sendo ceifada do que sempre esteve ao meu redor, do que sempre me fez querer permanecer na mesma terra, sem precisar estar necessariamente enraizada. Assisto as pessoas na minha vida partindo, percebo todas as luzes se apagando, sou convidada a me retirar do salão porque os convidados já foram todos embora... Agora estou sendo ensinada por meus próprios temores, a extrair da solidão a companhia que sempre negligenciei: como por exemplo; eu mesma. Fui apresentada a essa menina em momentos que precisei muito de alguém que me jogasse uma corda para sair do poço. E agora, passados determinados momentos, posso ver que essa mesma garota está me oferecendo o mundo em troca de um pouco de atenção. E é o que vou fazer de agora em diante. Dar atenção à única pessoa que se importa com meu lado B...A ela, a mim, a nós. E fim!

domingo, 10 de junho de 2007

VARA DE FAMÍLIA

No meu tempo, nos longínquos anos 80, crianças eram crianças. Usavam roupas de criança, brincavam com brinquedos de criança, obedeciam e desobedeciam como crianças.

Quinze anos se passaram e uma nova situação é mostrada. Crianças usando roupas de adultos, brincando com os novos joguinhos no celular, obedecendo somente mediante uma contra-oferta mais vantajosa por parte dos pais e desobedecendo como se tivessem salário e casa própria.

Parece-me que o Toddy que tomamos na outra geração criou uma espécie de aceleração psicológica responsável por essa mutação genética. Vejo essas crianças, ops, não podemos mais chamá-las de crianças, o termo agora é pré-adolescente (vou mandar um e-mail pro Aurélio tirar essa palavra em desuso do dicionário) e me comparo com a criança que um dia eu fui. São duas épocas tão diferentes que não parece que passaram-se 15 anos e sim 50.

Hoje existe a depressão infantil, a hiperatividade, a psicologia dos argumentos. Ora, no meu tempo "não" era "não" e "vai pro banho" era "vai pro banho". Atualmente, discutem-se tantos métodos educacionais e só vejo o negócio piorar. Você não pode gritar, não pode bater, ah, também não pode educar.

A super Nanny , o programa do SBT, representa essa tentativa frustrada de correção. Deixa a criança chorar até murchar para depois ter um papo cabeça sobre o que ela fez. Nunca vi nada tão absurdo. Se eu visse meu filho fazendo todo o tipo de atrocidade contra os pais como vejo essa fedelhada fazer, eu daria uma tunda de laço. E se me mandassem para a vara de família eu ia ficar bem satisfeita. Uma vara de família bem grande no lombo corrige qualquer um.

domingo, 3 de junho de 2007

CINDERELA PÓS-MODERNA

Cinderela, como todos sabem, é a dona (temporária) do sapatinho de cristal que encantou o príncipe, fazendo-o percorrer todo o reino em busca dos delicados pés que ele tanto pisoteou na noite do baile. Após localizá-la, a pediu em casamento e ambos foram morar em seu palácio vivendo assim felizes para sempre. (?) Será? Agora com vocês, a versão real dos fatos.

Cinderela pós-moderna. A ruína.


Cinderela acordou cedo com o telefonema de seu advogado. Já fazia um mês que o príncipe tinha trocado seus lindos pés pelas lindas pernas da secretária. A notícia não era animadora. Como ela não sabia ler quando se casou, acabou assinando uma procuração rejeitando todos os bens da família real e agora quem estava sem um puto real era ela. As contas começaram a acumular, Cinderela desesperada ligou para suas amigas mas Branca de Neve estava no vermelho por ter adotado os 7 anões, e a Bela Adormecida, sempre que Cinderela ligava, mandava dizer que estava dormindo. Sem amigos e sem família, Cinderela recorreu à madrasta que a essas alturas tinha virado diarista. Suas irmãs estavam fazendo panfletagem no centro da cidade e ela, não tendo outra alternativa, resolveu sonegar impostos e abrir um camelô na 25 de março.
Entretanto, a dura vida fugindo dos fiscais a fez aceitar o suborno, e ela acabou entregando-lhes quase todo o lucro para que não apreendessem suas mercadorias. Cinderela não se conformava com essa repentina mudança de status. Num dia ela estampava capas de revista feminina, no outro ela sofria revista feminina escorada no paredão por conta de vendas de produtos ilícitos . Cinderela sentiu-se obrigada a fazer ponto nas esquinas e se viu literalmente fudida e mal paga. O casebre que dividia junto com a madrasta e suas irmãs era um ovo, sentindo-se sufocada, Cinderela saiu para a rua para apanhar um pouco de ar. Sentou-se no meio fio da calçada e começou a chorar. Nesse momento uma forte luz surge na sua frente e diz:
- Não chore Cinderela, eu estou de volta.- Era sua fada madrinha, porém muito mais magra e abatida.
- Oh Fada, que bom que não me abandonou, senti tanto sua falta. Mas você está tão magra, o que houve?
- Tenho feito muita hora extra para pagar minhas dívidas, a coisa não está fácil minha filha.
- Fada, me ajude, me tire desse buraco.
- Isso eu não posso fazer Cindy, você sabe que meu poder só vale por 24 horas.
- Então me deixe bem bonita para ir numa festa e quem sabe me casar com alguém.
A Fada olhou para a Cinderela, checou suas contas, calculou para ver se o seu orçamento aguentaria e disse:
- Tá, posso te deixar com uma aparência mais aceitável, mas estamos em época de recessão,
nada de vestidos caros e sapatos de cristal. Só posso te dar um jeans, uma camiseta e um tênis, é pegar ou largar.
Cinderela pensa que é melhor que nada e aceita. Em alguns minutos , zum, estava pronta.
-Obrigada Fada, mas olhe, não daria para conseguir um carro? Pode ser de segunda mão. É que a festa é meio longe.
A Fada a olhou com pena, abriu sua carteira e lhe deu dois vale transporte.
- Ó minha filha, é tudo o que tenho, agora me deixe ir antes que você me leve para o FMI (Fadas Muito Inadimplentes).
A Fada foi embora e Cinderela correu para pegar o ônibus a tempo. Ao chegar no destino, desceu do coletivo e foi abordada por um meliante:
-Me passe os tênis, vamos.
-Oh não, por favor, não os leve de mim, foi um presente da minha fada madrinha.
O ladrão abaixou a arma e disse:
-Poxa, fada madrinha, agora que eu me lembrei. A minha fada não me visita há mais de 10 anos, desde que começou esse plano real. Eu nem chamo mais ela de fada e sim de Safada.
Cinderela começou a rir e disse:
-Acho que é uma crise geral. Até a varinha de condão dela não é mais como antes, em outros tempos era com bateria, hoje é 8 pilhas por 1 real.
O ladrão começou a rir e disse:
-Ok, pode ficar com seus tênis, não vou os levar de você.
- Muito gentil de sua parte.
- Posso te acompanhar até em casa? É que essa hora tem muito vagabundo na rua.
- Claro, seria um prazer.
E Cinderela foi embora com aquele que estava longe de ser o seu príncipe encantado, mas que jamais a trocaria pela secretária, afinal de contas, ele nunca seria chefe de nada.

sábado, 2 de junho de 2007

AGULHA NO PALHEIRO

Qual será o sentimento de uma agulha no palheiro?Solidão, ou poder, em ser a única no meio de tantos outros iguais? Sermos diferentes pode nos trazer a agradável sensação de especiaria, de artigo manufaturado em meio a uma produção em série .Entretanto, pode também te dar o sentimento confuso de incompreensão e angústia.Uma grande massa esmagadora fazendo e pensando as mesmas coisas, tendo as mesmas estúpidas atitudes, nadando na mesma sarjeta, expirando o mesmo gás nocivo resultado de um interior tão pútrido e vazio.Um exército maquinário que não sabe valorizar as diferenças.Soldados que não lutam pelo fim da batalha mas sim pelas condecorações e medalhas.São aqueles que só são felizes no dia 31 de cada mês, os que acreditam que cifras e hierarquia são o espelho de classe do mundo, os que olham pessoas mais simples como se fossem um banheiro de rodoviária. E então, eis que atravessa por esse pelotão alguém indiferente a todas essas incontestáveis verdades do mundo capitalista.Uma pessoa que valoriza o trabalho antes do salário, alguém que acha que vale mais a pena dar um sorriso do que franzir a sobrancelha, um incrível alienígena que crê que o dinheiro tem que ser seu servo e não seu patrão.A essa pessoa eu pergunto, seria ela a agulha no palheiro ou seria o palheiro que está em abundância demais?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS

Foi afixado nas paredes do útero o lembrete:
- Reunião dos métodos contraceptivos hoje nas trompas de falópio às 20 horas.

Chegada a hora marcada, alguns dos métodos já estavam presentes e começaram uma conversa para afrouxar a curiosidade:

- Alguém sabe se a pílula vem?- Perguntou o diafragma.
-Acho que não, ouvi dizer que ela está nos 7 dias de folga. E além do mais, provavelmente
esqueceram de avisá-la porque todo mundo sempre se esquece da pílula.
- E a camisinha? Será que vem?
- Esquece, você sabe que a camisinha sempre fura.
-Ah tabelinha, não dá para generalizar. Você sempre falha e tá aqui.

Passado algum tempo o útero começou a encher. O local foi ficando abafado e o diafragma pediu que abrissem a janela imunológica – "Vocês sabem, eu sou de borracha, daqui a pouco vou começara derreter. Aliás, que empreguinho horrível esse meu." Os métodos se entreolham e perguntam o porquê.

-Como assim por quê? Eu sou o diafragma. Antes da cópula eu sou dobrado, coberto com espermicida –o que faz de mim um assassino- e sou obrigado a adentrar aquele ambiente úmido,escuro e com pouca ventilação. Depois a mulher me tira do quentinho e me joga embaixo da água fria para me lavar sendo que ela mesma não se lava.

A tabelinha não aguentando ouvir aquela lamúria resolveu mostrar que sua vida também era um labor diário:

- Ah tá diafragma, você reclama, mas e eu? Sabia que tabelinha é o método contraceptivo preferido das adolescentes? Ou seja, eu tenho que trabalhar o dobro já que adolescentes são totalmente desreguladas. Não têm hora nem dia certo para ovular. Quando eu planejo minhas férias sou sempre chamada às pressas para atender uma ovulação repentina. Constantemente fico desempregada já que a menina costuma engravidar ao me escolher como anticoncepcional.
Eu me sustento com os 30 dias de aviso prévio , que é o período que ela se dá conta que a menstruação não vem e me dispensar.

O diu enfurecido entra no debate acalorado e dispara:
- Vocês reclamam, mas e eu? Sabiam que eu só posso ser colocado com cirurgia? Ou seja, vocês tem uma vida pessoal, mas e eu que sou obrigado a trabalhar 24 horas por dia? Nunca mais saio lá de dentro, e quando saio já estou muito velho para entrar novamente para o mercado de trabalho. Uma injustiça. Se você está velho é desprezado pela sociedade.

A discussão segue em faíscas, nisso chega a injeção hormonal se desculpando pelo atraso.

- Desculpem queridos, me atrasei, estava viajando quando fui avisada dessa reunião. Sobre o que se trata?
-Ainda não sabemos. Estava viajando é? Nada como ser uma injeção hormonal e trabalhar só um dia por mês- respondeu o diafragma.
A injeção hormonal o olhou de cima a baixo e disse com ar de expressa ironia:
- Qual é diafragma? Comeu espermicida foi? Você tem noção do que significa meu trabalho? Ter um farmacêutico apertando minha bunda para enfiar minha cara em outra bunda? E os hormônios que carrego? Vive me engordando, sem falar nas ondas de calor que sinto e nas espinhas que acabam com minha pele.

Ofegante, cruza o útero, a camisinha.
- Desculpem pessoal, vim às pressas, estava trabalhando e nem tive tempo de me trocar. Sobre o que é a reunião?- Todos olham para a camisinha com uma cara de nojo.
-Estavamos debatendo sobre nossos empregos. Mas o seu certamente ganha de qualquer um, quem gostaria de estar sempre sujo e melado como você?
- Meu emprego? É, tem o lado negativo de eu estar sempre guardado numa gaveta escura, num bolso de calça ou dentro de uma carteira. Tenho que estar constantemente trocando de roupa, ainda mais agora que estou trabalhando para um maníaco sexual. Tenho feito muitas horas extras. Isso sem falar no fato que ele troca de parceira com frequência. Aliás, tem umas meninas que deviam se envergonhar, nunca ouviram falar em sabonete! Eu fecho os olhos, tranco minha respiração e faço meu trabalho sem nem olhar pros lados. Aí o agradecimento é te enrolarem num papel higiênico e te jogarem dentro de um cesto com papel cagado. Isso quando não te matam afogados na privada. Ah, mas o bom mesmo é trabalhar para os adolescentes, gozam em menos de 3 minutos. Um trabalho muito rápido.

- Não vejo vantagem nenhuma em ser uma camisinha- disse a tabelinha, apiedada do trabalho degenerativo de seu colega.
- Que nada, meu trabalho tem pontos legais. Por exemplo, uma camisinha nunca está sozinha.
Dentro de uma gaveta eu divido o espaço com pelos menos mais umas 5. Se vai uma em seguida vem outra para você conhecer. Isso acaba estimulando seu lado social, entende? Fora o fato de eu ser distribuída gratuitamente e tambem ser vendida em supermercado. Isso faz de mim algo tão essencial quanto arroz e feijão.
- É camisinha, isso sem contar que no carnaval você faz a festa-disse o diu com feições maliciosas.
- Ah sim, todo mundo se esquece de mim, aí posso cair na farra!
Todos conversam com os ânimos menos exaltados quando de repente sentem um forte impacto, o útero começa a sacudir, os métodos se seguram, alguns caem no chão e a camisinha grita:
-Se segurem!!!!!! Teremos companhia!!!!!

Em poucos minutos uma enxurrada de espermetozóides aflitos chegam ao útero e avançam até o óvulo o cutucando até que a cabeça de um entra e a descarga elétrica mata os restantes, teimosos em atingir o intento da fecundação.
Estão agora todos cobertos de branco, tal qual um merengue, e ainda tremulando devido ao choque que levaram.
Nesse instante a senhora menstruação adentra o útero batendo palmas:

-Muito bem, muito bem. Pelo visto saiu tudo conforme planejei.
Todos se olham sem entender nada.
-Eu vos explico. Enquanto estavam aqui reunidos nenhum de vocês estavam trabalhando e portanto, a moça engravidou. Sendo assim terei 9 meses de férias, merecidas por sinal, pois desde a menarca , que é a primeira menstruação feminina, que eu não tiro férias.
- Mas então estamos todos despedidos, o que faremos agora?
- Eu consigo emprego fácil, o que não falta é pênis desencapado por aí- disse a camisinha.

O diafragma sorri e diz:
-Eu posso tentar uma vaga para trabalhar com meu xará lá de cima. Ele está trabalhando para um fumante que tem uma respiração muito difícil, portanto vou ajudá-lo.
A injeção hormonal aflita dizia que só restava o atendimento pediátrico para salvá-la do desemprego.
- Eu vou largar meu currículo para o intestino- disse a tabelinha- Já estou acostumada com adolescentes que ovulam a qualquer hora, portanto estarei preparada se alguém quiser evacuar às 3 da manhã.

A menstruação vendo o leve desespero instaurado, pede a atenção de todos e explica:
- Sei que devem estar com raiva de mim mas era necessário. Vou contar-lhes brevemente minha história. Há algum tempo eu me envolvi com o absorvente, afinal de contas, todos os meses tinhamos um contato íntimo que estreitou nossos laços de intimidade. Porém a relação não durou muito pois ele era grosso, grudento e chegava sempre em casa com cheiro de outras mulheres. Sem querer acabei engravidando e dei a luz ao O.B. Ele cresceu e de mini virou super.
Começou a trabalhar e saiu de casa para buscar a independência. Porém essa semana recebi uma carta dele perguntando se podia voltar para casa pois dizia estar no vermelho e vivendo num verdadeiro buraco. Digo que sim, afinal de contas ele é meu filho, e para minha surpresa quando abro a porta, vejo ele e o tampax de cordinhas dadas descobrindo por conseguinte que O.B é homossexual. Meu sangue ferveu, coagulou e decretei férias.

Os métodos contraceptivos fingindo solidariedade e conformismo aceitam suas novas condições de desempregados. Entretanto, passada a reunião, eles sequestram a pílula do dia seguinte e a menstruação é obrigada a pegar no batente de novo. Os métodos contraceptivos voltaram ao seu trabalho normal, afinal de contas, não poderiam viver à mercê do desemprego, mesmo sabendo que seus trabalhos eram foda!

sábado, 19 de maio de 2007

ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE

Mário Quintana tem uma frase que a considero fantástica: "a esperança nada mais é do que um urubu pintado de verde."

Sim, concordo com o poeta. A esperança é o sujeito gordo, velho e careca tentando se passar pelo garanhão do bairro. A maquiagem de nossas rugas e imperfeições, nossa plástica moral. Entretanto, por mais falso que isso possa soar, enfatizo que não tem como erradicá-la de nossa vida. Precisamos sentir que no final daquele comprido e escuro túnel, há um feixe de luz, que a vida não é uma soma matemática exata e imutável, mas sim uma poesia com diversas interpretações.

São os bordões: o que não tem remédio remediado está, no fim tudo se ajeita, o sol nasce todo dia; que impulsiona que não sejamos macerados pela sequência dolorosa de aprendizados. Somos constantemente erguidos e recondicionados quando estamos esperançosos.

Nos permitir esperar o melhor não é simplesmente fazer o "jogo do contente" como a Pollyanna fazia, mas sim, reinventar nossa vida conforme nossa mente a direciona.
Na visão de uma ex-pessimista, como me considero, eu passei a acreditar que a esperança seja a última que morre, pois certamente duvidar disso é fazer de você a primeira a morrer.

terça-feira, 15 de maio de 2007

HÁBITOS

Eu costumava ter o hábito de chegar em casa e roer tudo que fosse passível de digestão...Pão, bolacha, arroz, farinha, toalha da mesa com estampa frutífera...Enfim, uma mulher ansiosa que descontava nas calorias a surra que levou durante o dia.

Claro que essa atitude constante reduziu o número de calças que passavam pelo quadril e fez uma simples tarefa de fechar um inocente zíper, numa missão digna dos 12 trabalhos de Hércules. Entrei de dieta para enxugar a camada ensebada de gordura e passei a negar os carboidratos a fim de eliminar meus 7 kilos capitais.

A questão é que já se passaram quase um mês de ração fracionada e ainda sinto os efeitos da gula se contorcendo dentro de mim exigindo comida. O hábito de fazer dos prazeres gastronômicos meu único refúgio feliz, meus 40 minutos de orgasmos múltiplos por mordida ainda é um vício que não consegui arquivar.

O esforço hercúleo que faço para saborear uma fatia de pão e um copo de leite em detrimento de frituras, gorduras e açúcares, ainda é um sacrifício que exige uma persevarança não muito típica da minha personalidade.

A batalha diária contra esse excesso adiposo me faz concluir que uma vez formado o hábito, duas vezes terá que ser seu esforço para se livrar dele. Seja qual for a repetição que esteja acostumado a fazer, pouco importa, o resultado sempre será igual: vc passar a ser gladiador de si mesmo.

Hábito só é fácil de se livrar se for uma freira indo tomar banho. E mesmo assim, somente as que tem o hábito da higiene.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

MUDANÇAS

Minha casa está com caixas, dentro das caixas meus pertences, nos meus pertences minha vida e na minha vida está aquele apartamento que passei mais de 20 anos... É muito estranho olhar para as paredes do meu quarto e perceber que aquele azul desbotado com tanto papel colado e restos de outras colas e durex vai receber uma camada nova de tinta, receber uma outra pessoa, receber aquilo que me pertenceu nesse 1/4 de vida... Sei, parece dramático, estou piorando uma situação que nem é assim tão ruim, entretanto, o sentimentalismo impera nessas ocasiões onde um ciclo se fecha. Aquele chão segurou minhas quedas quando eu, pequena, caía ao tentar caminhar....As paredes abafaram meus soluços quando a depressão queria me mastigar com seus afiados caninos...a cozinha me alimentou e o banheiro me deu a purificação...Não tem como me desvencilhar disso tudo como se fosse apenas uma troca de endereço...O nome da rua para onde vou é o de menos...O que conta é o que sobrou de Georgia após essa extração do cordão umbilical e o que será feito de mim quando eu precisar novamente me alimentar.....

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